Alarme de incêndio na cápsula Orion causa tensão durante missão Artemis II
No penúltimo dia da histórica missão Artemis II, enquanto a tripulação ainda estava no espaço, o alarme de incêndio da cápsula Orion disparou inesperadamente. A revelação foi feita pelo comandante da missão, Reid Wiseman, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16). Wiseman não forneceu detalhes específicos sobre a causa do alarme ou as ações exatas tomadas para resolvê-lo, mas afirmou que a situação foi controlada em poucos minutos, graças ao treinamento meticuloso da equipe.
Tensão momentânea e resposta controlada
"Foi tenso. Não foi assustador, mas foi tenso por alguns minutos até reconfigurarmos tudo", declarou Wiseman, destacando a importância da calma e da avaliação cuidadosa em situações críticas. Ele explicou que a regra básica ensinada aos astronautas é evitar ações impulsivas. "Vamos avaliar a máquina, ver o que ela está nos dizendo, ver o que Houston [o controle de missão da NASA] está nos dizendo, e então tomar uma decisão integrada", acrescentou, enfatizando como o protocolo de segurança foi fundamental para manter a estabilidade da missão.
Desempenho da nave e desafios da reentrada
Apesar desse episódio alarmante, Wiseman e o piloto Victor Glover relataram que a nave Orion se saiu excepcionalmente bem ao longo de toda a missão. Isso incluiu a fase crítica da reentrada na atmosfera terrestre, considerada o trecho mais perigoso do trajeto, onde a cápsula atingiu temperaturas equivalentes à metade da superfície do Sol. Wiseman descreveu a descida como tranquila quando observada pela janela, um testemunho da robustez do veículo espacial.
Impactos psicológicos pós-missão nos astronautas
Os dez dias da missão Artemis II deixaram marcas profundas nos quatro integrantes da tripulação: Reid Wiseman, Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen. Mesmo após o retorno à Terra, todos relataram dificuldades em processar as experiências vividas no espaço. Christina Koch, por exemplo, mencionou que tem acordado convencida de que ainda está flutuando e levou um susto ao segurar uma camiseta e vê-la cair no chão, um reflexo da adaptação à gravidade zero.
Já Jeremy Hansen, o único membro da tripulação em seu primeiro voo espacial, expressou uma obsessão com a profundidade da nossa galáxia vista a olho nu. Ele descreveu como as estrelas pareciam ter posição no espaço tridimensional, uma percepção impossível de capturar em fotos ou vídeos, destacando a singularidade da experiência astronáutica.
Próximos passos do programa Artemis e visões futuras
Durante a coletiva, os astronautas também discutiram os futuros desenvolvimentos do programa Artemis. Christina Koch afirmou acreditar que uma base permanente na Lua é viável, enquanto Reid Wiseman foi mais além, declarando que, se tivessem tido acesso a um módulo de pouso durante a missão, teriam descido à superfície lunar. "Não é o salto que eu pensava que era", disse ele, sugerindo que o pouso lunar é mais alcançável do que se imagina.
A NASA tem como meta pousar humanos na Lua ainda nesta década, especificamente na missão Artemis IV. A Artemis II marcou um marco significativo como a primeira missão a levar humanos às proximidades da Lua desde a Apollo 17 em 1972. O objetivo principal do programa é preparar o retorno à superfície lunar e, a longo prazo, enviar astronautas a Marte, expandindo os horizontes da exploração espacial.



