Stellantis enfrenta prejuízo histórico de R$ 154 bilhões em 2025
A Stellantis, conglomerado automotivo que controla marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram, Chrysler e Leapmotor, divulgou resultados financeiros alarmantes para o ano de 2025. A empresa registrou um prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros, equivalente a aproximadamente R$ 153,9 bilhões na cotação atual. Este valor representa um dos maiores rombos financeiros já reportados por uma montadora global nos últimos anos.
Transição energética mais lenta gera custos bilionários
O resultado negativo concentrou-se especialmente no segundo semestre de 2025, quando a Stellantis precisou contabilizar despesas extraordinárias para ajustar suas projeções sobre o mercado de veículos elétricos. A empresa reconheceu que o avanço dessa tecnologia está ocorrendo em um ritmo significativamente mais lento do que o inicialmente previsto, obrigando-a a realizar grandes baixas contábeis.
Em comunicado oficial, Antonio Filosa, CEO da Stellantis, explicou: "Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e da necessidade de reorientar nosso negócio em torno da liberdade de nossos clientes de escolher entre toda a gama de tecnologias elétricas, híbridas e de combustão interna."
Detalhes dos prejuízos e impactos no mercado
Os números revelam a profundidade da crise:
- Prejuízo líquido anual: 25,4 bilhões de euros (R$ 153,9 bilhões)
- Baixas contábeis no segundo semestre: 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões)
- Prejuízo operacional ajustado no período: 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões)
Estes valores representam ajustes de perda de valor de ativos da empresa, refletindo a necessidade de reavaliar investimentos e expectativas frente ao cenário atual do setor automotivo. O anúncio impactou fortemente o mercado financeiro: as ações da Stellantis na bolsa de Milão acumulam queda de cerca de 20% desde a divulgação das perdas, atingindo seu nível mais baixo em 6 de fevereiro, com queda acumulada de 30% no ano.
Contexto global desfavorável para montadoras
A situação da Stellantis ilustra um desafio estrutural que diversas montadoras ao redor do mundo estão enfrentando. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa reduziram recentemente suas metas oficiais para a adoção de veículos elétricos, criando um ambiente de incerteza e forçando as empresas a recalibrar suas estratégias.
Analistas do Citi classificaram os resultados como um "ponto baixo evidente" para a empresa. Embora reconheçam a possibilidade de recuperação futura, eles apontam que outras montadoras europeias e norte-americanas apresentam menos riscos imediatos no atual cenário de transição tecnológica.
Receita cresce, mas futuro exige cautela
Paradoxalmente, a Stellantis registrou crescimento de 10% na receita entre julho e dezembro de 2025, alcançando 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões). As entregas de veículos aumentaram 11% no mesmo período, indicando que a base operacional da empresa mantém certa resiliência.
Filosa destacou sinais positivos: "A segunda metade do ano, a empresa viu sinais iniciais e positivos de progresso com os primeiros resultados dos esforços para melhorar a qualidade, fortalecer os lançamentos da nova onda de produtos e o retorno ao crescimento da receita."
Para 2026, a Stellantis mantém projeções modestas: espera crescimento moderado na receita e uma margem operacional baixa, porém positiva. No entanto, a empresa prevê que seu fluxo de caixa livre só retornará ao território positivo em 2027, indicando que os próximos anos ainda serão de ajustes e consolidação.
"Em 2026, nosso foco será continuar fechando as lacunas de execução, adicionando impulso ao nosso retorno ao crescimento lucrativo", afirmou o CEO, sinalizando que a empresa busca recuperar terreno após um ano marcado por perdas históricas.



