Um episódio envolvendo os participantes Pedro e Jornada no BBB 26, da TV Globo, reacendeu um debate intenso nas redes sociais. A cena, ocorrida na despensa da casa do reality show em 19 de janeiro de 2026, serviu de estopim para discussões sobre os limites do flerte e o medo que alguns homens expressam de serem acusados de assédio.
O debate nas redes e a raiz do medo
Com a ascensão das pautas sobre machismo e relacionamentos nos últimos anos, tornou-se comum ouvir um discurso de parte dos homens: o de que "não pode mais chegar nas mulheres". O argumento central é o receio de uma acusação de assédio por um gesto mal interpretado. No entanto, analistas de comportamento e ativistas apontam que esse temor é, em si, revelador.
Especialistas argumentam que, em geral, esse pavor só faz sentido para quem entende que flertar é sinônimo de agarrar, encurralar, insistir após um não ou constranger. A confusão estaria justamente em equiparar práticas invasivas a uma simples investida romântica ou sexual.
A diferença entre o jogo de sedução e a violência
Aqueles que compreendem a dinâmica do consentimento claro e sabem observar os sinais de interesse recíproco não costumam viver esse tipo de angústia. O flerte respeitoso, que busca uma permissão explícita e aceita uma negativa sem pressão, não gera o mesmo clima de apreensão.
Dessa forma, o medo discutido após o caso do BBB 26 não seria, na essência, o de uma acusação falsa. Ele seria, na verdade, o temor de serem responsabilizados por atos que sempre souberam ser invasivos. É o pavor de que a sociedade, finalmente, nomeie como violência aquilo que alguns insistem em chamar apenas de "jogo de sedução".
As consequências do debate público
A discussão pública, amplificada por casos em reality shows como o da TV Globo, força uma reflexão coletiva sobre normas sociais e comportamentos arraigados. Ela joga luz sobre a necessidade de reeducação afetiva e sexual, destacando pontos fundamentais:
- O consentimento deve ser claro, entusiástico e contínuo.
- Um "não" é uma resposta completa, não um ponto de partida para insistência.
- O respeito aos limites alheios é a base de qualquer interação saudável.
O episódio do Big Brother Brasil 26 funcionou como um microcosmo de uma conversa muito maior. Ele mostrou que, longe de ser uma "caça às bruxas", a discussão sobre assédio é um esforço para demarcar claramente a linha entre o interesse romântico e a violência disfarçada de galanteio.