Campanha de vacinação contra gripe inicia em capitais com mutirão nacional neste sábado
Com a chegada precoce da circulação do vírus influenza, causador da gripe, as campanhas de vacinação já tiveram início em diversas capitais brasileiras e um mutirão nacional, conhecido como "dia D", será realizado pelo Ministério da Saúde no próximo sábado, 28 de março. A infecção tende a aumentar significativamente com a queda das temperaturas e pode desencadear internações hospitalares e óbitos, especialmente entre crianças, gestantes e idosos.
Circulação antecipada do vírus preocupa autoridades
A campanha de vacinação contra a gripe tradicionalmente ocorre no final de março para preparar a população para o início da temporada de infecções, prevista para abril. Entretanto, o vírus chegou antes do esperado e já elevou os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o país.
Segundo o boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta quinta-feira, 26 de março, foram notificados 24.281 casos de SRAG apenas neste ano, dos quais 9.443 tiveram confirmação laboratorial para algum tipo de vírus respiratório. O levantamento indica que 27,8% desses casos foram de infecção por influenza A, demonstrando a importância da imunização preventiva.
Capitais antecipam início da vacinação
Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal da Saúde não aguardou o início oficial da campanha nacional e começou a aplicar as doses em uma instituição de longa permanência para idosos na última segunda-feira, 23 de março. Desde terça-feira, 24 de março, o imunizante passou a ser ofertado para todos os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.
Na cidade do Rio de Janeiro, a campanha de vacinação também foi antecipada e teve início na última terça-feira em 243 salas de vacinação distribuídas pela capital fluminense. "A gripe é a doença mais preocupante do nosso calendário epidemiológico e, como o pico de casos acontece nos próximos meses, é importante que as pessoas procurem se vacinar agora para estarem protegidas desde já", afirmou Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, em nota oficial.
Desde quarta-feira, 25 de março, as doses também estão disponíveis em postos de saúde do Distrito Federal, que estabeleceu a meta ambiciosa de proteger 1,1 milhão de pessoas contra a doença durante esta campanha.
Mutirão nacional neste sábado
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza promovida pelo Ministério da Saúde terá seu ponto alto no próximo sábado, 28 de março, com a realização do "dia D", o tradicional mutirão de imunização nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em todo o território nacional. Até o dia 30 de maio, a vacina será ofertada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste.
A região Norte possui um calendário sazonal diferenciado, com campanha de vacinação programada apenas para o segundo semestre, considerando o período conhecido como "inverno amazônico" quando ocorre maior circulação viral naquela região.
O Ministério da Saúde já distribuiu, até o momento, 15,7 milhões de doses do imunizante e solicitou formalmente aos estados e municípios que promovam a vacinação ainda no primeiro mês da mobilização, incluindo ações de busca ativa dos grupos prioritários para garantir ampla cobertura vacinal.
Evitando desperdício de doses
"O objetivo principal é garantir a proteção efetiva contra o vírus influenza e evitar o desperdício de doses valiosas. No ano passado, 89 mil doses da vacina contra a gripe foram incineradas porque as pessoas não compareceram para se vacinar. Não podemos permitir que essa situação se repita", relatou o secretário Daniel Soranz, destacando a importância da adesão da população à campanha.
Grupos prioritários para vacinação gratuita
Na rede pública de saúde, a vacina trivalente da influenza, que protege contra três cepas em circulação, é oferecida gratuitamente para os seguintes grupos prioritários, com meta de atingir 90% de cobertura vacinal em cada categoria:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias)
- Idosos com 60 anos ou mais
- Gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto)
- Profissionais da saúde e da educação
- Povos indígenas e comunidades quilombolas
- Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis
- População em situação de rua e pessoas privadas de liberdade
A vacinação representa a medida mais eficaz para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos relacionados à influenza, especialmente durante o período de maior circulação viral que se aproxima com a chegada do outono e inverno no Brasil.



