O Brasil deu um passo histórico no combate à dengue neste domingo, 18 de janeiro de 2026. Pela primeira vez, a vacina nacional e de dose única contra a doença, desenvolvida pelo Instituto Butantan, começou a ser aplicada na população. A estreia ocorre em um projeto-piloto que abrange três cidades de diferentes regiões do país.
Municípios-piloto recebem primeiras doses
A estratégia inicial do Ministério da Saúde foca em Botucatu, no interior de São Paulo, Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. A escolha não foi aleatória. O desenho do projeto se baseia em experiências bem-sucedidas de estudos de vacinação em massa realizados no estado de São Paulo durante a pandemia de covid-19.
Nesta fase, serão distribuídas 204,1 mil doses do imunizante do Butantan entre os três municípios. A divisão será a seguinte: 80 mil doses para Botucatu, 60,1 mil para Maranguape e 64 mil para Nova Lima. Este volume integra o lote inicial de 1,3 milhão de doses já produzidas pelo instituto e é considerado suficiente para vacinar a população-alvo dessas localidades.
Objetivo vai além da proteção individual
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que o objetivo da campanha piloto é medir o efeito da imunização em larga escala sobre a circulação do vírus. A expectativa é que a vacinação produza um impacto coletivo significativo no controle da doença.
“Se alcançarmos entre 40% e 50% de cobertura vacinal, além da proteção individual, a vacina pode ter um impacto significativo no controle da dengue em toda a cidade”, afirmou Padilha. Os municípios participantes serão acompanhados de perto para analisar a incidência de casos e monitorar possíveis eventos adversos raros.
Público-alvo e outras vacinas disponíveis
A vacina do Butantan será destinada, nesta fase, a pessoas com idades entre 15 e 59 anos, conforme a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para o público mais jovem, a estratégia continua diferente.
Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue em vigor a vacinação com a Qdenga, imunizante japonês que requer duas doses. Inicialmente restrita a municípios prioritários, essa vacina agora está disponível de maneira geral em todo o país.
Expansão da produção e próximos passos
Com a ampliação da disponibilidade de doses, o Ministério da Saúde planeja, a partir de fevereiro, começar a vacinar profissionais da Atenção Primária à Saúde. Médicos, enfermeiros e agentes comunitários que atuam diretamente no atendimento pelo SUS devem ser os primeiros deste novo grupo.
A produção da vacina nacional segue em ritmo acelerado. De acordo com o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, a primeira remessa de 1,3 milhão de doses deve estar completa até o fim de janeiro. A previsão é fabricar 3 milhões de doses até o final do primeiro semestre de 2026.
A ambição do Instituto Butantan é grande: chegar a 30 milhões de doses até o fim deste ano. Para viabilizar essa escala de produção, o instituto firmou uma parceria com a empresa chinesa WuXi Biologics. A estimativa é que, nos próximos dois anos, sejam fabricadas até 100 milhões de doses da vacina brasileira contra a dengue.
O início da aplicação marca um momento crucial para a saúde pública brasileira, que busca uma ferramenta eficaz e de grande alcance para controlar uma doença que afeta milhares de pessoas anualmente em todo o território nacional.