UNAIDS usa funk para alertar jovens sobre HIV com campanha 'Proibidão Protegidão'
UNAIDS usa funk em campanha sobre HIV para jovens

UNAIDS transforma funk em ferramenta de saúde pública com campanha inovadora

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) está utilizando o funk, um dos ritmos mais populares e influentes do Brasil, como instrumento estratégico de comunicação em saúde. A iniciativa "Proibidão Protegidão", lançada no início deste mês, busca ocupar os mesmos espaços digitais frequentados pela geração Z, levando informações cruciais sobre prevenção ao HIV diretamente aos celulares dos jovens através da linguagem musical que eles mais consomem.

Spotify Canvas como plataforma de prevenção

A campanha inovadora utiliza o Spotify Canvas — ferramenta de vídeos em loop de oito segundos que acompanha a reprodução das faixas — como um espaço inédito de mídia para mensagens de saúde pública. Hits de artistas consagrados do funk como MC Livinho, MC Mari e MC Pikachu, que somam impressionantes 300 milhões de visualizações na plataforma, tiveram seus visuais originais substituídos por animações educativas que promovem ativamente o uso do preservativo.

A seleção musical da campanha inclui faixas de grande sucesso como 'Fazer Falta' do MC Livinho, 'Flauta' da MC Mari com Perera DJ, 'Vínculo Nenhum' do MC Davi e 'Lá no Meu Barraco' do MC Pikachu. Esta abordagem criativa representa uma tentativa estratégica de alcançar os jovens em seu ambiente digital natural, onde passam grande parte do seu tempo consumindo entretenimento.

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Adaptação linguística como estratégia fundamental

Para Thainá Kedzierski, oficial de Comunicação e Advocacy do UNAIDS Brasil, a adaptação da linguagem é elemento essencial para ampliar efetivamente a prevenção. "Uma comunicação baseada na autonomia e nas escolhas individuais é fundamental para uma resposta ao HIV mais equitativa, especialmente entre os jovens, grupo que ainda concentra a maior parte das novas infecções", explica Thainá, destacando a importância de falar a língua do público-alvo.

A profissional enfatiza que a campanha não apenas transmite informações, mas busca criar uma conexão emocional e cultural com os jovens, utilizando referências que fazem parte do seu cotidiano e identidade. Esta aproximação através da cultura popular representa uma evolução significativa nas estratégias de comunicação em saúde pública no país.

Panorama preocupante entre a população jovem

A ação "Proibidão Protegidão" surge como resposta direta ao preocupante aumento de infecções pelo vírus HIV na população mais jovem do Brasil. De acordo com o "Boletim Epidemiológico – HIV e Aids 2025", publicado pelo Ministério da Saúde, quase metade (48,7%) das novas infecções por HIV registradas em 2024 ocorreram em pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PENSE), realizada pelo IBGE em 2019, revelam uma tendência ainda mais alarmante: o percentual de jovens entre 13 e 17 anos que afirmam utilizar preservativo em suas relações sexuais apresentou queda significativa na última década. Os números caíram de 72,5% em 2009 para apenas 59% em 2019, representando uma redução de mais de 13 pontos percentuais em apenas dez anos.

Prevenção e tratamento gratuitos disponíveis no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) mantém uma ampla gama de serviços gratuitos para prevenção e tratamento do HIV, incluindo:

  • PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)
  • PEP (Profilaxia Pós-Exposição)
  • Preservativos internos e externos
  • Lubrificantes
  • Autoteste para HIV
  • Tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com HIV

As profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP) consistem em intervenções biomédicas que utilizam medicamentos antirretrovirais para prevenir a infecção pelo HIV antes ou após possível exposição ao vírus. O SUS também oferece terapia antirretroviral de forma universal e gratuita, com mais de 225 mil pessoas utilizando atualmente o comprimido único que apresenta menor risco de efeitos adversos e melhor grau de aceitação.

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Este esquema terapêutico, que exige apenas uma dose diária, tem demonstrado melhorar significativamente a adesão ao tratamento e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV. A evolução constante dos tratamentos disponíveis representa um avanço considerável no manejo da infecção, transformando o HIV de uma condição fatal em uma doença crônica controlável quando tratada adequadamente.

A campanha "Proibidão Protegidão" do UNAIDS representa assim uma convergência inovadora entre cultura popular, tecnologia digital e saúde pública, buscando reverter as tendências preocupantes entre os jovens brasileiros através de uma comunicação que respeita e incorpora suas referências culturais.