Crise no atendimento: Hospital PUC-Campinas enfrenta superlotação no PS Adulto SUS
O Hospital PUC-Campinas, localizado na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, registrou nesta quarta-feira (25) uma situação de superlotação crítica no Pronto-Socorro Adulto do Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade, que é referenciada pelo sistema público de saúde, emitiu um alerta oficial sobre a gravidade da situação.
Números alarmantes revelam desproporção
Atualmente, o hospital possui 74 pacientes de alta complexidade internados, um número que contrasta drasticamente com a capacidade contratada de apenas 20 leitos disponíveis. Essa desproporção levou a administração do hospital a instalar uma placa informativa na entrada do PS Adulto SUS, alertando os usuários sobre a situação crítica de superlotação.
Diante deste cenário preocupante, o Hospital PUC-Campinas divulgou um comunicado oficial no qual solicita expressamente que a população que utiliza o SUS busque atendimento em outras instituições de saúde. A medida tem como objetivo garantir a preservação da segurança técnica assistencial para os pacientes já internados.
Comunicação com órgãos reguladores
Em resposta à crise, a unidade hospitalar informou a situação para todas as instâncias reguladoras competentes, incluindo a Cross, Samu, Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, DR7 e o Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp). Esta comunicação visa coordenar esforços para redistribuir pacientes e aliviar a pressão sobre o hospital.
Embora o Hospital PUC-Campinas seja uma unidade de atendimento referenciada do SUS - ou seja, que recebe pacientes encaminhados por outros serviços - e não funcione no sistema "porta aberta", ele acaba sendo procurado diretamente pela população do entorno que necessita de assistência médica urgente.
Posicionamento das autoridades de saúde
A Secretaria de Saúde de Campinas emitiu uma nota informando que "está em constante negociação para a ampliação de leitos na cidade" e que já negociou junto ao governo estadual a implantação do Hospital Metropolitano. A pasta municipal afirmou ainda que monitora continuamente a ocupação dos leitos através do Siresp e que dispõe de uma Central de Regulação atuante.
"A ocupação é dinâmica e muda a todo momento, pois a rotatividade de leitos é alta. Em média, 30 pacientes têm alta e outros 30 são internados em cada hospital municipal diariamente", explicou a secretaria, acrescentando que nenhum paciente que necessita de internação na Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar está desassistido.
Por sua vez, o Departamento Regional de Saúde de Campinas informou que monitora a regulação de pacientes para assegurar o atendimento integral das demandas da região. A autoridade estadual destacou que está em fase final a contratação de 10 novos leitos de UTI em Pedreira, bem como a ampliação de leitos e serviços na região, com previsão de início de funcionamento em março.
Volume histórico de atendimentos
O Hospital PUC-Campinas encerrou o ano de 2025 com um impressionante número de 2 milhões de atendimentos realizados, englobando consultas, exames e internações. Em média, a unidade atende 5,4 mil pessoas por dia, sendo que aproximadamente 80% desses pacientes são atendidos pelo Sistema Único de Saúde.
Além de servir a população local, o hospital se consolidou como referência para toda a região metropolitana, recebendo cerca de 25% dos usuários de municípios vizinhos. Estes dados foram divulgados recentemente durante uma visita de bispos à unidade hospitalar, destacando a importância estratégica do Hospital PUC-Campinas para o sistema público de saúde regional.
A situação atual de superlotação evidencia os desafios estruturais enfrentados pelo SUS na região de Campinas, especialmente em unidades que, como o Hospital PUC-Campinas, absorvem uma demanda significativamente maior do que sua capacidade contratada originalmente previa.



