Riscos do 'Mounjaro do Paraguai' e retatrutida: Anvisa alerta sobre canetas emagrecedoras ilegais
Riscos do 'Mounjaro do Paraguai' e retatrutida sem aval da Anvisa

Riscos do 'Mounjaro do Paraguai' e retatrutida: Anvisa alerta sobre canetas emagrecedoras ilegais

A febre das canetas injetáveis para tratamento da obesidade, como as baseadas em semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), tem levado ao surgimento de versões manipuladas e opções ilegais no mercado brasileiro. Entre as mais difundidas estão o chamado "Mounjaro do Paraguai" e a retatrutida, uma substância ainda em estudo que não possui autorização de agências regulatórias para uso.

Proibições e apreensões da Anvisa

Desde o ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem emitido alertas e implementado proibições relacionadas à importação e comercialização indevida de canetas injetáveis para obesidade. Em novembro de 2025, a agência publicou resoluções que determinam a proibição de importação, distribuição, fabricação, propaganda e uso de medicamentos à base de agonistas do GLP-1 que não possuem registro no Brasil.

Em fevereiro deste ano, a Anvisa ordenou a apreensão de produtos não registrados e divulgou uma lista com os nomes e dosagens das versões ilegais das canetas, incluindo Lipoless MD 15mg, Retatrutide 40mg, Tirzec 15mg, Lipoland 15mg e T.G 15mg e 10mg.

Atração pelo preço baixo

A procura por essas canetas paraguaias que se apresentam como emagrecedoras está relacionada não apenas ao desejo de perder peso rapidamente, mas também ao preço acessível. Com base na média de preços disponíveis na internet, estima-se que o valor dessas opções corresponde a 25% a 44% do preço do medicamento original, tornando-as uma alternativa tentadora para muitos consumidores.

Riscos graves à saúde

Os produtos sem registro no Brasil e sem procedência conhecida oferecem uma série de riscos significativos à saúde. Sem passar pela análise rigorosa da Anvisa, não é possível garantir a segurança e a eficácia desses remédios. Outro problema grave é o risco de contaminação, pois as condições de fabricação são desconhecidas, especialmente em produtos falsificados.

Pode ocorrer ainda a presença de substâncias inadequadas ou em quantidade incorreta, o que pode levar a eventos adversos e resultados insatisfatórios. A farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, alerta em comunicado que produtos falsificados "podem conter ingredientes errados, quantidade excessiva, insuficiente ou nenhuma substância ativa, ou ainda conter outros ingredientes nocivos".

O caso preocupante da retatrutida

A situação da retatrutida, molécula que também está sob patente da Lilly, é ainda mais grave. A substância ainda está em fase de testes, embora tenha sido apresentada em um evento "paralelo" por um laboratório paraguaio com a presença de celebridades e influenciadores brasileiros, configurando uma situação irregular.

O professor de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre Hohl, alerta que os ritos científicos precisam ser seguidos antes que um remédio chegue à população, o que ainda não ocorreu com a retatrutida. "É uma medicação em estudo de fase 3 com grande probabilidade de ajudar pessoas com obesidade, diabetes e doença hepática metabólica, mas os estudos precisam ser finalizados e as agências regulatórias precisam analisá-los", explica Hohl.

Necessidade de medidas rigorosas

Segundo o especialista, é fundamental implementar medidas para coibir a comercialização desses produtos ilegais. "Quando uma medicação que está sendo estudada começa a ser utilizada, fabricada e vendida em um país sem nenhuma dessas informações, é um caos sanitário, é colocar a população em risco. É fundamental que agências regulatórias e órgãos como a polícia reprimam esse tipo de situação", afirma Hohl.

Vale ressaltar que os agonistas do GLP-1 aprovados, como a semaglutida e a tirzepatida, devem ser administrados apenas com indicação médica e, por determinação da Anvisa, são vendidos com retenção da receita médica. A aquisição deve ser feita exclusivamente em farmácias e drogarias credenciadas, garantindo assim a segurança e a eficácia do tratamento.