MPMT processa governo de MT por falhas graves no Hospital Regional de Sorriso
MP processa MT por falhas em hospital regional de Sorriso

MPMT processa governo de Mato Grosso por falhas graves em hospital regional

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ingressou com uma ação civil pública contra o governo estadual após identificar uma série de falhas graves e persistentes no funcionamento do Hospital Regional de Sorriso, localizado a 420 quilômetros de Cuiabá. A ação, assinada pelo promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas no dia 20 de maio, destaca que as irregularidades não são pontuais, mas sim estruturais, envolvendo questões físicas da unidade e a carência de profissionais de saúde.

Problemas críticos na assistência hospitalar

O hospital, que é referência regional em atendimentos de urgência e emergência, traumatologia, gestações de alto risco e outros serviços de média e alta complexidade, apresenta deficiências que comprometem seu papel na rede pública. "Quanto maior o papel sistêmico da unidade, maior a gravidade jurídica e social das falhas estruturais que nela se instalam", afirma um trecho da ação. Entre os principais problemas apontados estão:

  • Falta de profissionais: Embora a unidade tenha 143 leitos cadastrados, apenas 116 chegaram a funcionar em certos períodos devido à insuficiência de pessoal, com momentos em que até 28 leitos foram fechados temporariamente.
  • Déficit de funcionários: O diretor técnico relatou um déficit de cerca de 140 funcionários, principalmente na área de enfermagem, afetando cirurgias eletivas que foram reduzidas ou suspensas.
  • Falhas na assistência obstétrica e pediátrica: Mesmo sendo referência para gestações de alto risco, o hospital ficou sem pediatra ou neonatologista disponíveis, com um único plantonista acumulando múltiplas responsabilidades.

Deficiências na infraestrutura e respostas insuficientes

Além dos problemas de pessoal, a ação cita graves deficiências na infraestrutura, relatadas por usuários e investigações:

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  1. Falta de climatização adequada e ausência de água em alguns setores.
  2. Banheiros em condições precárias, com mau cheiro, infiltrações e risco de infecção hospitalar.
  3. Indícios de problemas estruturais mais sérios, como rachaduras e necessidade de intervenções nas fundações, possivelmente por movimentação do solo.

O MPMT argumenta que as medidas adotadas pelo estado, como contratações pontuais e reformas parciais, foram insuficientes para resolver os problemas. A Secretaria de Saúde não respondeu aos contatos do g1 até a última atualização da reportagem.

Pedidos do Ministério Público para solução

Ao final da ação, o MPMT solicita que a Justiça determine ao Estado de Mato Grosso:

  • Apresentação de um Plano de Reestruturação com diagnóstico completo do quadro de pessoal e cronograma de recomposição de recursos humanos.
  • Reabertura dos leitos fechados e regularização definitiva da assistência obstétrica, pediátrica e neonatal.
  • Correção das deficiências físico-prediais e de infraestrutura, incluindo uma avaliação técnica estrutural independente para avaliar a viabilidade de reformas ou necessidade de nova unidade.

O caso destaca os desafios contínuos na saúde pública de Mato Grosso, com o hospital servindo a uma ampla região e exigindo padrões compatíveis com sua importância. A ação civil pública busca garantir que as falhas sejam corrigidas de forma permanente, assegurando atendimento adequado à população.

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