Polícia de Rondônia investiga mortes após colonoscopias em clínica particular de Cerejeiras
Mortes após colonoscopias em clínica de RO são investigadas pela polícia

Polícia Civil de Rondônia abre inquérito para investigar mortes após exames de colonoscopia em clínica de Cerejeiras

A Polícia Civil de Rondônia instaurou um inquérito para investigar as mortes de dois pacientes que passaram por exames de colonoscopia em uma clínica particular de Cerejeiras, no interior do estado. Segundo informações oficiais, a investigação tem como objetivo principal esclarecer as circunstâncias que levaram ao óbito dos indivíduos, após procedimentos médicos considerados de rotina.

A corporação policial destacou que, neste momento inicial, não há confirmação de que a clínica ou o médico responsável pelos exames sejam investigados diretamente. Essa definição, conforme explicado, dependerá exclusivamente das provas e evidências que forem reunidas ao longo das diligências do inquérito, que segue em andamento com total sigilo.

Detalhes dos casos: as histórias de Thyago e Alzery

Os casos investigados envolvem Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que faleceu em fevereiro deste ano após realizar uma colonoscopia, e Alzery Geraldo de Souza, de 69 anos, que morreu em setembro de 2025, poucos dias depois de passar por colonoscopia e endoscopia. As duas mortes foram formalmente denunciadas por familiares, que afirmam, com veemência, que os pacientes apresentaram sérias complicações médicas logo após os procedimentos realizados na referida clínica particular.

De acordo com o relato da família, Thyago realizava acompanhamento médico regular devido a uma síndrome nefrótica, condição que exige monitoramento frequente e cuidados especiais. Segundo os parentes, durante a colonoscopia realizada no dia 27 de fevereiro, ocorreu uma perfuração no intestino do paciente, o que levou à interrupção imediata do exame pelo médico responsável.

Após o incidente, Thyago foi rapidamente encaminhado ao Hospital São Lucas, em Cerejeiras, e, posteriormente, transferido com urgência para o Hospital Regional de Vilhena. Ele passou por uma cirurgia de emergência e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas, infelizmente, não resistiu e veio a falecer no dia seguinte, deixando familiares e amigos em profundo luto.

O agravamento do quadro de Alzery e a busca por respostas

Já a família de Alzery Geraldo de Souza narra que, logo após a conclusão dos exames de colonoscopia e endoscopia, ele começou a sentir fortes dores abdominais ainda dentro da clínica. Segundo os relatos, a intensidade da dor era tamanha que ele precisou de ajuda para se vestir antes de deixar o local.

De acordo com os familiares, o médico teria prescrito apenas um medicamento para alívio da dor e liberado o paciente para seguir para casa. No entanto, com o rápido agravamento do quadro clínico, Alzery foi levado ao hospital de Cerejeiras e, depois, transferido para Vilhena, onde realizou uma tomografia computadorizada.

O exame de imagem, conforme afirmado pela família, apontou uma perfuração no intestino, e os médicos plantonistas informaram que seria necessária uma cirurgia de emergência imediata. Após o procedimento cirúrgico, Alzery entrou em estado de coma e permaneceu internado por dez longos dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), vindo a falecer em 30 de setembro de 2025, deixando um vazio irreparável.

Posicionamentos da clínica, do médico e do Conselho Regional de Medicina

O g1 entrou em contato, em várias oportunidades, com o médico responsável pelos exames e com a clínica citada pelas famílias, mas não obteve nenhum tipo de resposta ou posicionamento até a última atualização desta reportagem. A falta de manifestação por parte dos envolvidos diretos aumenta a angústia dos familiares e a necessidade de transparência no caso.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia (Cremero), por sua vez, informou que tomou conhecimento dos casos e que todas as informações disponíveis serão minuciosamente analisadas pelos setores responsáveis dentro da autarquia. O órgão explicou, ainda, que eventuais investigações internas são tratadas com sigilo absoluto, conforme determina a legislação, e, por esse motivo, não pode comentar detalhes ou adiantar conclusões neste momento preliminar.

As famílias aguardam, ansiosamente, por respostas concretas e por justiça, enquanto a Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer os trágicos eventos que ceifaram duas vidas em circunstâncias ainda não totalmente elucidados.