Paciente morre após transplante com órgão infectado por HIV no Rio de Janeiro
Uma das pacientes que contraíram o vírus HIV após receber um transplante de órgão contaminado no Rio de Janeiro faleceu aos 64 anos. A morte ocorreu no dia 18 de março, e as causas específicas ainda estão sob investigação pelas autoridades de saúde. A mulher era acompanhada pela Secretaria de Estado de Saúde desde a revelação do caso, em outubro de 2024, que está diretamente relacionado a falhas graves em exames laboratoriais realizados pelo Laboratório PCS Saleme, situado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Falhas laboratoriais resultam em seis infecções
O caso veio à tona em 11 de outubro de 2024, quando foi descoberto que seis pacientes haviam recebido órgãos infectados pelo vírus HIV devido a resultados falsos negativos emitidos pelo Laboratório PCS Saleme. As investigações apontaram que a empresa deixou de realizar testes obrigatórios para reduzir custos operacionais, comprometendo a segurança dos procedimentos de transplante. Os laudos laboratoriais, assinados por Walter Vieira e Jaqueline Íris Bacellar de Assis, indicavam erroneamente que os órgãos dos doadores eram não reagentes para HIV, ou seja, livres do vírus.
O laboratório, que havia sido contratado sem licitação pela Fundação Saúde, foi imediatamente interditado após a divulgação do escândalo. De acordo com a denúncia do Ministério Público, os acusados tinham plena consciência de que pacientes transplantados tomam imunossupressores para evitar rejeição, e que a aquisição de uma doença como o HIV em organismos já fragilizados seria devastadora. A Secretaria de Estado de Saúde confirmou que a sindicância interna apontou falhas em processos, que já foram corrigidas, mas o dano aos pacientes foi irreparável.
Processo judicial avança com seis réus
O julgamento do caso teve início em fevereiro de 2025 na 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, com audiências que ouviram os pacientes e testemunhas do Ministério Público. Os seis réus enfrentam acusações de associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento particular. Entre os acusados estão os sócios do laboratório, Walter Vieira e Matheus Sales Teixeira Vieira — pai e filho —, além dos funcionários Jaqueline Íris Barcellar de Assis, Ivanilson Fernandes dos Santos, Cléber de Oliveira Santos e Adriana Vargas dos Anjos.
Todos os réus chegaram a ser presos, mas cinco deles respondem ao processo em liberdade, enquanto Jacqueline está em prisão domiciliar. Em julho do ano passado, o Ministério Público firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o governo do estado para garantir a indenização das vítimas, incluindo a paciente falecida, que foi indenizada pelo Governo do Estado.
Nota oficial e apoio às vítimas
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) expressou profundo pesar pelo falecimento da paciente, destacando que ela vinha recebendo assistência total e era monitorada diariamente por uma equipe multidisciplinar há um ano e cinco meses. A secretaria se solidarizou com a família e reforçou que continuará oferecendo suporte psicológico aos familiares. Os outros cinco pacientes infectados continuam vivos e em tratamento, mantendo acompanhamento médico regular.
Este caso chocante expõe falhas críticas no sistema de saúde e levanta questões sobre a regulamentação de laboratórios e a segurança em procedimentos de transplante. A comunidade aguarda ansiosamente o desfecho do julgamento, que pode estabelecer precedentes importantes para a responsabilização em casos de negligência médica no Brasil.



