Família acusa Hospital Geral de São Mateus de negligência após morte de recém-nascido
Uma família de São Paulo registrou um boletim de ocorrência contra o Hospital Geral de São Mateus após a morte de um recém-nascido apenas três dias após o nascimento. Os familiares alegam negligência no atendimento durante o trabalho de parto e também nos cuidados prestados ao bebê, que faleceu em 27 de março.
Detalhes do caso e relato da família
Melissa Araujo Costa, de 21 anos, estava com 40 semanas de gestação e deu entrada no hospital na manhã de 24 de março em trabalho de parto. Por volta das 9h30, ela foi submetida a um exame de cardiotocografia após indicação de possível sofrimento fetal, já que o bebê apresentava batimentos cardíacos fracos.
Apesar do quadro, a equipe de enfermagem optou por induzir o parto normal com medicamentos. A avó da criança, Priscilla de Araújo Diamantino, relata que a filha pediu a realização de cesariana ao sentir dores intensas, mas não foi atendida pelos profissionais.
"Eles usaram métodos bem invasivos no parto natural. Como inserir a mão dentro da vagina e pedir para fazer força. Chegaram a dizer que ela estava eufórica e que iam dar um soro para limpar o sangue. Em nenhum momento nos ouviram", afirmou Priscilla ao g1.
Demora na intervenção e complicações
Apenas após a troca de plantão, por volta das 19h20, uma enfermeira teria identificado a necessidade de cesariana de urgência. Um exame indicou a presença de líquido esverdeado, compatível com mecônio, substância formada pelas primeiras fezes do bebê que, quando liberada ainda no útero, pode ser sinal de sofrimento fetal.
A cirurgia foi realizada cerca de 10 horas após a entrada da gestante no hospital. O recém-nascido precisou passar por procedimento de aspiração logo após o parto e foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu em 27 de março.
De acordo com a família, um pediatra chegou a afirmar que o bebê estava bem, mas a avó contestou: "O pediatra do centro cirúrgico disse que estava tudo bem. Enquanto isso, eu fiquei ao lado do Davi e percebi que ele respirava com dificuldade. Chamei uma enfermeira e pedi para chamar outro médico que de imediato o aspirou e o levou para a UTI".
Causa da morte e posicionamento do hospital
Na certidão de óbito consta que a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda, hipertensão pulmonar persistente, síndrome de aspiração meconial, aspiração de mecônio intra útero e infecção neonatal presumida. A família foi informada que o recém-nascido teve comprometimento completo dos pulmões.
Em nota, o Hospital Geral de São Mateus informou que "lamenta profundamente o desfecho do caso" e que prestou acolhimento à família, oferecendo esclarecimentos sobre a assistência realizada. A unidade afirmou que a paciente foi acompanhada de forma contínua pela equipe assistencial e que, após identificada intercorrência obstétrica, foi adotada cesariana de forma imediata.
O hospital destacou ainda que "apesar de todos os esforços da equipe e das medidas adotadas, o bebê evoluiu a óbito" e que o caso será analisado conforme os protocolos internos, permanecendo à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Busca por justiça
A família segue em busca de respostas e justiça. "A nossa família clama por justiça. O bebê estava saudável. Ainda estamos tentando entender essa monstruosidade que fizeram com nosso pequeno e grande Davi", afirmou Priscilla, demonstrando a dor e a indignação com o ocorrido.



