Justiça autoriza exumação após morte de jovem em parto em Rorainópolis
Exumação autorizada após morte em parto em Rorainópolis

Justiça de Roraima autoriza exumação de jovem morta após parto em maternidade

A Justiça de Roraima concedeu, nesta sexta-feira (27), autorização para a exumação do corpo de Karoline Vitória Falcão Silva, uma jovem de 24 anos que faleceu após mais de doze horas em trabalho de parto na Maternidade Thereza Monay Montessi, localizada em Rorainópolis, no sul do estado. A decisão judicial atende a um pedido do marido da vítima, Francinei Freitas da Silva, de 36 anos, que busca esclarecer as circunstâncias da morte através de uma ação de produção antecipada de provas.

Família acusa negligência e busca respostas

O juiz Guilherme Versiani Gusmão Fonseca, da Vara da Fazenda Pública de Rorainópolis, determinou que o Instituto de Medicina Legal (IML) de Roraima realize a perícia no corpo de Karoline. A jovem morreu no dia 17 de março de 2026, por volta das 23 horas, na unidade de saúde administrada pelo governo estadual. Seu corpo foi liberado para sepultamento sem a realização de uma necropsia oficial, o que, segundo a defesa da família, impediu "a verificação da real causa mortis e o eventual ajuizamento de ação indenizatória".

Francinei acusa a maternidade de negligência, relatando que sua esposa, grávida de nove meses e com pré-natal em dia, deu entrada na unidade às 3 horas da manhã do dia 17, apresentando sangramento. Ao longo do dia, seu estado de saúde se agravou significativamente. Por volta das 14 horas, ela foi levada para a sala de parto normal, mas não houve evolução, sendo então submetida a uma cesariana de emergência. O bebê, Mateo Kaleb, nasceu às 15h56 e passa bem, sendo o segundo filho do casal, que também tem uma filha de seis anos.

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Relato do marido detalha momentos críticos

Em emocionado depoimento, Francinei descreveu os últimos momentos conscientes de sua esposa: "Minha esposa fez muita força, muita força mesmo, demorou bastante na sala de parto e nada do bebê nascer, ele nem apontava. Então, foram ver os batimentos do meu filho, e eles estavam fracos. Minha esposa foi levada com urgência para a sala de cirurgia. Esse foi o último momento em que ela se manteve acordada". Ele também afirmou que a equipe médica não realizou ultrassonografia para avaliar o bebê e que não pôde acompanhar o parto, sendo informado apenas à noite sobre o grave estado de Karoline.

Houve uma tentativa frustrada de transferir a paciente para o Hospital Geral de Roraima (HGR) em Boa Vista, mas durante o trajeto sua condição piorou, obrigando o retorno a Rorainópolis, onde ela veio a falecer. A declaração de óbito emitida pela maternidade apontou como causa da morte hemorragia pós-parto, choque hipovolêmico e discrasia sanguínea.

Investigações em andamento

O marido registrou um boletim de ocorrência por homicídio simples na delegacia de Rorainópolis, e a Polícia Civil abriu inquérito no dia 21 de março para esclarecer as causas do óbito e verificar possível responsabilidade criminal. A Secretaria de Saúde do estado emitiu nota lamentando o fato e informou que a gestão hospitalar iniciou uma investigação administrativa, reunindo informações do prontuário da paciente.

Karoline foi sepultada no dia 19 de março no cemitério de São João da Baliza, onde residia com a família. O recém-nascido Mateo Kaleb está sob os cuidados do pai e da avó materna, enquanto a família aguarda os resultados da exumação e das investigações para buscar justiça.

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