Famílias de Itaperuna enfrentam obstáculos no acesso a tratamento para autismo
Logo após as celebrações do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, ocorrido em 2 de abril, as famílias residentes em Itaperuna, localizada na região do Noroeste Fluminense, continuam a deparar-se com sérias dificuldades para obter atendimento especializado. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) demanda um acompanhamento contínuo e multidisciplinar, envolvendo profissionais essenciais como psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. No entanto, muitos responsáveis têm denunciado atrasos significativos no acesso a consultas médicas, sessões de terapia e até mesmo na dispensação de medicamentos através da rede pública de saúde.
Casos reais ilustram a crise no atendimento
O exemplo da professora Dayana Priscila Campos Genuíno evidencia a gravidade da situação. Mesmo possuindo uma decisão judicial que assegura o fornecimento de medicamentos para seu filho, ela relata que aguarda há vários meses pelo início efetivo do atendimento. A ausência de suporte adequado repercute diretamente na rotina familiar, obrigando os cuidadores a lidarem com deslocamentos exaustivos, custos elevados e uma interminável espera por serviços que são fundamentais para o bem-estar.
Outro caso emblemático é o da mediadora Sara Nunes de Oliveira, mãe de Enzo, uma criança de 10 anos diagnosticada com autismo grau 1 há aproximadamente três anos. Apesar de ser considerado um nível mais brando do transtorno, Sara destaca que os desafios relacionados ao desenvolvimento infantil e ao acesso ao tratamento permanecem consideráveis e desgastantes.
Limitações da rede pública e esforços da sociedade civil
Diante da elevada demanda e das restrições da rede pública, parte do atendimento tem sido assumida por uma associação local do município, que oferece apoio tanto para as crianças quanto para seus familiares. Contudo, esta instituição também enfrenta sérios entraves para manter os serviços em funcionamento, devido à escassez de recursos financeiros e ao aumento constante na procura.
Profissionais da área de saúde mental enfatizam que o acompanhamento adequado é crucial para o desenvolvimento das crianças com TEA, promovendo uma melhor qualidade de vida e facilitando a inclusão social. Paralelamente ao acesso à saúde, muitas famílias buscam orientação sobre direitos legalmente garantidos, como benefícios sociais, prioridade em atendimentos diversos e políticas públicas de inclusão.
Apelo por investimentos e ampliação de serviços
Perante este cenário desafiador, famílias, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil têm reforçado a urgente necessidade de maiores investimentos e da expansão dos serviços especializados no município. A cobrança é por uma atenção mais dedicada por parte do poder público, visando assegurar o acesso ao tratamento e melhores condições de vida para todas as pessoas com autismo e suas famílias.
A situação em Itaperuna reflete um problema mais amplo, onde a conscientização precisa ser acompanhada de ações concretas e políticas públicas eficazes para transformar a realidade das pessoas com Transtorno do Espectro Autista.



