Cruzadas e SUS: uma guerra pela saúde pública que vale a pena travar
Cruzadas e SUS: guerra pela saúde pública que vale a pena

Cruzadas e SUS: uma guerra pela saúde pública que vale a pena travar

O cirurgião bariátrico e pesquisador na área de obesidade Cid Pitombo reflete, em seus textos, sobre alimentação, movimento, ganho e perda de peso, mas também sobre temas cruciais da saúde coletiva. Em um artigo recente, ele traça um paralelo fascinante entre as Cruzadas medievais e os desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o maior sistema público, gratuito e universal de saúde do planeta.

As lições das Cruzadas para a saúde pública

As Cruzadas representam um dos períodos mais conturbados da história humana, onde religião, política e poder se entrelaçaram de maneiras complexas, muitas vezes desviando-se de seus princípios fundamentais. No filme A Cruzada, essa narrativa é retratada de forma espetacular, mostrando confrontos religiosos entre reis que revelam a dificuldade de compreensão e respeito por opiniões divergentes. As batalhas eram sangrentas, com ambos os lados perseguindo ideais de poder sobre a Terra Santa, algo que deveria pertencer a todos.

Hoje, de forma atualizada, ainda testemunhamos conflitos na mesma região, onde povos que convivem há milênios não aprenderam com o passado, recorrendo novamente às armas para se impor. A história se repete: ninguém sai vitorioso, todos perdem, especialmente aqueles que mantêm a fé. Pela primeira vez na história, o Santo Sepulcro foi fechado, simbolizando a dificuldade de criar harmonia universal, seja no campo de batalha ou na vida cotidiana.

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O SUS: uma cruzada moderna pela vida

Nesse contexto, Pitombo convida a refletir sobre o SUS, que atende mais de 190 milhões de pessoas no Brasil. Há pouco mais de três décadas, uma cruzada de boas intenções marchou com o objetivo de promover saúde e atendimento em um território imenso e desafiador. As batalhas iniciais não foram fáceis: foi necessário invadir e modificar a casa das leis, construir estruturas de atendimento, organizar a logística de um arsenal de medicamentos para combater diversas doenças e mobilizar recursos provenientes de impostos, realocados de outras áreas para salvar vidas.

As marchas envolveram diversos soldados da saúde e estrategistas dedicados. Após esse tempo, em muitas regiões, as vitórias foram significativas e, diferentemente das guerras tradicionais, em vez de baixas, tivemos inúmeras vidas salvas. No entanto, como em qualquer conflito prolongado, ainda existem batalhas acontecendo em várias cidades, onde faltam suprimentos, soldados (profissionais de saúde), insumos e equipamentos essenciais. Em muitos casos, a população dessas localidades não recebe atendimento adequado da tropa local, destacando a necessidade contínua de reforços e melhorias.

A luta diária por um objetivo comum

A luta é diária e incessante, mas é crucial reconhecer que se trata de um exército que tem combatido incansavelmente — e, distintamente das guerras convencionais, luta por um mesmo objetivo nobre: a preservação da vida. Apesar de vivermos em um mundo diversificado em termos de raças, religiões, políticas e culturas — o que é positivo, pois amplia nossas perspectivas —, a saúde deve ser uma causa universal, unindo todos em prol do bem-estar coletivo.

Que as novas cruzadas nos ensinem valiosas lições: a perdoar e ser perdoados, a compreender e ser compreendidos, a amar e ser amados. Pois, como diz o ditado, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado. Neste vasto campo de batalha chamado mundo, existem pessoas que precisam urgentemente de hospitais de campanha, com médicos dedicados, remédios eficazes, cirurgias precisas e, muitas vezes, de uma simples oração ou palavra de apoio que possa renovar suas esperanças.

O SUS, apesar de seus desafios, representa uma guerra que vale a pena travar, pois seu propósito final é salvar vidas e promover a saúde para todos, independentemente de suas origens ou condições. É um lembrete poderoso de que, mesmo em meio a conflitos, podemos encontrar unidade em causas maiores, transformando batalhas em oportunidades de cura e progresso.

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