Câncer colorretal pode causar 635 mil mortes e perdas de US$ 22,6 bi no Brasil até 2030
Câncer colorretal: 635 mil mortes e perdas bilionárias até 2030

Câncer colorretal deve causar 635 mil mortes e perdas bilionárias no Brasil até 2030

Um estudo recente publicado na renomada revista científica The Lancet traz projeções alarmantes sobre o impacto do câncer colorretal no Brasil. A pesquisa, conduzida pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) em colaboração com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e outros pesquisadores brasileiros, estima que a doença pode causar 635.253 mortes no país entre 2001 e 2030, resultando em perdas econômicas da ordem de US$ 22,6 bilhões.

Impacto econômico e desigualdades regionais

O estudo mediu o impacto econômico indireto através da metodologia do capital humano, calculando anos potenciais de vida produtiva perdidos e perdas de produtividade. Os resultados apontam para 12,6 milhões de anos potenciais de vida produtiva perdidos, evidenciando como as mortes prematuras afetam não apenas a saúde, mas também a economia e a sociedade.

As regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores crescimentos relativos em mortalidade, anos de vida produtiva perdidos e perdas de produtividade, destacando desigualdades regionais significativas. Embora essas áreas tenham impactos econômicos totais menores, os óbitos individuais resultam em perdas mais elevadas por pessoa. Já as regiões Sul e Sudeste, mais avançadas na transição epidemiológica, registram maior mortalidade e perdas absolutas.

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Aumento de casos e fatores de risco

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é o segundo tipo mais comum entre mulheres (após o câncer de mama) e homens (após o câncer de próstata) no Brasil. Estudos alertam para um aumento de 21% nos casos entre 2030 e 2040, impulsionado por fatores como envelhecimento populacional, dietas ricas em alimentos ultraprocessados, sedentarismo e obesidade.

Chama atenção o crescimento da mortalidade, que aumentou 120% nos últimos 20 anos, com elevação considerável na mortalidade prematura entre 30 e 69 anos. Aproximadamente 65% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, reduzindo as chances de cura e reforçando a necessidade urgente de prevenção e rastreamento.

Desafios no acesso ao tratamento

Outro aspecto crítico é a dificuldade de acesso ao tratamento. O atraso no início do tratamento é mais frequente em pessoas pretas e pardas e com baixo nível de escolaridade, muitas das quais são encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e precisam receber atendimento fora de seu município de residência.

O Pará, por exemplo, registra pelo menos 500 casos de câncer colorretal anualmente, ilustrando a dimensão do problema em diferentes regiões do país.

Estratégias de prevenção e controle

O controle do câncer colorretal envolve três níveis de prevenção: primária (redução de fatores de risco), secundária (rastreamento para detecção precoce) e terciária (acesso oportuno ao tratamento). Investimentos nessas áreas não apenas salvam vidas, mas também promovem o desenvolvimento social e econômico.

Os resultados do estudo fornecem evidências sólidas sobre os potenciais ganhos econômicos de investimentos sustentados em prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento. Essas informações podem orientar políticas públicas e o planejamento regionalizado dos serviços de saúde, contribuindo para reduzir desigualdades e mitigar o impacto social e econômico das mortes prematuras.

Relevância global e financiamento

O interesse pela investigação da carga global do câncer tem crescido, com estudos focando em indicadores além da incidência e mortalidade, como o impacto econômico. O câncer é a segunda doença que mais mata no mundo, atrás das cardiovasculares, e em algumas cidades brasileiras já é a principal causa de morte.

Estima-se que o Brasil terá 518 mil casos anuais de câncer (excluindo tumores de pele não melanoma) entre 2026 e 2028. A pesquisa foi financiada pelo programa MSD Independent Oncology Policy Grant Program, sem envolvimento do patrocinador nas decisões metodológicas ou de publicação.

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Os autores, incluindo pesquisadores como Marianna de Camargo Cancela, Arn Migowski Rocha dos Santos e Dyego Leandro Bezerra de Souza, destacam a importância de ampliar a visibilidade sobre o tema para reforçar a urgência de ações integradas entre saúde, economia e impacto social.