Clínica oftalmológica é interditada em Salvador após pacientes perderem visão em cirurgias de catarata
Clínica interditada em Salvador após perda de visão em cirurgias

Clínica oftalmológica é interditada em Salvador após pacientes denunciarem perda de visão em cirurgias de catarata

O número de pessoas que perderam o globo ocular após passarem por cirurgia de catarata em uma clínica particular de Salvador subiu para sete, conforme atualização da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) nesta quarta-feira (4). Além desses pacientes, outros dois já receberam a mesma recomendação e aguardam pelo procedimento de remoção. A clínica, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), está interditada desde segunda-feira (2), após decisão da SMS, que investiga o caso.

Detalhes do caso e pacientes afetados

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, apenas uma das 26 pessoas operadas no dia 26 de fevereiro, na mesma sala cirúrgica da Clivan, não apresentou problemas provocados pelo procedimento. Além das nove pessoas com perda parcial da visão, outras 16 seguem em tratamento clínico especializado em unidades de saúde da capital baiana. Entre os afetados, 14 são moradores de Salvador e 11 são de outros municípios do estado.

Pacientes e familiares têm expressado indignação com a situação. A família de Damário Antônio da Silva, de 75 anos, registrou um boletim de ocorrência contra a clínica nesta terça-feira. Gleidiane Souza, neta do paciente, relatou à TV Bahia: "Foi desumano o que fizeram com meu avô. Então, a gente tem que ver quem vai ser responsabilizado por isso. A gente veio na delegacia para tentar resolver". O caso é apurado pela Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati), localizada no bairro do Engenho Velho de Brotas.

Relatos dos pacientes e investigação em andamento

Damário contou como recebeu o diagnóstico após a cirurgia: "O médico olhou logo e falou: 'É, o senhor perdeu a visão [...] vai ter que escanear a córnea e tirar, porque senão pode infeccionar mais e o senhor perder a outra vista ou até causar a morte'". Familiares dos pacientes afirmam que ao menos 38 pessoas relataram problemas após passar pelo procedimento cirúrgico na clínica, mas a SMS informou que conseguiu rastrear 26 pacientes, todos operados na mesma sala cirúrgica.

O oftalmologista que teria realizado as cirurgias conversou por telefone com a equipe de reportagem da TV Bahia, mas pediu para não ser identificado. Ele afirmou que atua no ramo desde 2013 e nunca passou por nada parecido, esperando o resultado da investigação da vigilância sanitária, que pode apontar uma contaminação em algum insumo ou instrumento cirúrgico utilizado.

Posicionamento da clínica e medidas tomadas

Em nota, a Clínica de Oftalmologia esclareceu as informações relacionadas às intercorrências registradas no pós-operatório das cirurgias de catarata. A clínica ressaltou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico, em conformidade com as normas médicas vigentes.

A clínica realiza mais de 8 mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência, o que reforça o caráter pontual do episódio. Reiterou seu compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais e assegurando que todos continuem sendo acompanhados de forma responsável e humanizada.

A Clínica de Oftalmologia reafirmou sua confiança nos seus profissionais, protocolos e na medicina responsável que sempre pautou sua trajetória. Enquanto isso, as autoridades de saúde e policiais continuam a investigar o caso para determinar as causas exatas das complicações e responsabilizar os envolvidos, se necessário.