Pelo menos 28 pacientes seguem ocupando leitos no Hospital Manoel de Abreu, em Bauru (SP), mesmo após receberem alta médica, por não terem para onde ir. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) à TV TEM na tarde desta sexta-feira (8).
O que é alta social?
Os casos são classificados como “alta social”, quando o paciente está clinicamente liberado, mas permanece internado por falta de acolhimento familiar ou assistência social adequada. Em julho de 2025, eram 13 pacientes nessa condição. Agora, segundo o Estado, o número mais que dobrou.
Impacto na rede de saúde
O Hospital Manoel de Abreu é uma unidade estadual, com 100% de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), referência para internações de longa permanência, além de atender pacientes com tuberculose e dependência química. A permanência prolongada dos pacientes impacta diretamente a disponibilidade de leitos na rede pública. Atualmente, 79 pessoas aguardam vagas de internação em unidades de saúde de Bauru, incluindo leitos de UTI.
Ações do Ministério Público
Em nota, o Ministério Público informou que a Promotoria de Justiça de Bauru vem realizando reuniões trimestrais com representantes do Estado, da Prefeitura e da rede de atendimento desde o ano passado, em busca de soluções. Na última reunião, foi estabelecido prazo até a próxima sexta-feira (15) para que a Prefeitura de Bauru apresente respostas sobre o funcionamento de um equipamento híbrido entre assistência social e saúde, a criação de um protocolo para agilizar a desinternação e a realização de reuniões periódicas para discutir os casos individualmente.
Posição da Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que mantém diálogo com o hospital e com o Governo do Estado para buscar soluções de acolhimento aos pacientes após a alta hospitalar. Segundo o município, o hospital informou oficialmente a existência de 23 pacientes em acompanhamento social. A prefeitura afirmou ainda que os outros cinco casos citados na reportagem são de pacientes de outros municípios. A administração municipal também declarou que nem todos os casos configuram abandono ou vulnerabilidade social e que alguns pacientes ainda estão em avaliação ou sequer tiveram alta oficialmente concluída. A prefeitura disse também que os pacientes sem acolhimento familiar seguem acompanhados pela Assistência Social, que o chamamento público para ampliação de vagas será republicado e que dois idosos já têm acolhimento definido para a próxima semana.
Acompanhamento do Estado e Defensoria
A SES-SP informou, por meio do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru, que acompanha a situação junto ao Ministério Público e realiza reuniões periódicas com representantes do município e da assistência social para discutir os casos. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo também informou que acompanha o caso e que expediu ofícios ao hospital e à Secretaria Municipal de Assistência Social pedindo esclarecimentos e providências.



