Salvador: 11 pacientes perdem visão após cirurgia de catarata e serão reabilitados
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador confirmou que onze pacientes que sofreram complicações graves e perderam a visão de um dos olhos após cirurgia de catarata realizada na clínica Clivan serão encaminhados para reabilitação no Instituto dos Cegos da Bahia. Em nota oficial enviada à imprensa, a SMS detalhou que os indivíduos que precisaram ser submetidos ao procedimento de evisceração ocular – que envolve a remoção do conteúdo interno do globo ocular – continuam recebendo acompanhamento especializado pela rede pública de saúde.
Pacientes recebem assistência contínua da rede pública
A pasta municipal enfatizou que todos os afetados estão sendo assistidos integralmente pelo sistema público, com revisões médicas periódicas personalizadas conforme a necessidade de cada caso. A etapa de reabilitação, que ocorrerá no Instituto dos Cegos da Bahia, contará com uma equipe multiprofissional abrangente, incluindo psicólogos para suporte emocional. Além dos onze pacientes que passaram pela evisceração ocular, outros quinze indivíduos que realizaram cirurgia de catarata na mesma clínica permanecem sob monitoramento da rede pública sem previsão de alta médica imediata.
Todos os vinte e seis procedimentos cirúrgicos problemáticos aconteceram no dia 26 de fevereiro, levantando sérias questões sobre os protocolos de segurança adotados pela unidade de saúde.
Clínica permanece interditada e contrato suspenso
Nesta terça-feira, 10 de março, pacientes que se dirigiram à clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, encontraram um aviso da SMS fixado na entrada solicitando que entrassem em contato com a regulação municipal para reorganização do atendimento. A unidade de saúde está oficialmente interditada desde 2 de março e teve seu contrato com a prefeitura de Salvador suspenso temporariamente.
O comunicado afixado no local dizia: "Atenção pacientes Clivan. Pacientes que se encontram em acompanhamento na Clivan deverão entrar em contato com a Regulação Municipal de Salvador para orientação e encaminhamento a outros prestadores da rede. O atendimento será reorganizado para garantir a continuidade da assistência!"
A SMS esclareceu ainda que o processo de remanejamento dos pacientes da clínica interditada já está em andamento de forma gradual, considerando etapas essenciais de avaliação, regulação e disponibilidade de oferta na rede de saúde municipal. A assistência é garantida para pacientes residentes em Salvador ou provenientes de municípios com pactuação assistencial com a capital baiana.
Posicionamentos dos envolvidos
O oftalmologista responsável pelas cirurgias conversou por telefone com a equipe de reportagem da TV Bahia na semana passada, mas solicitou anonimato. Ele afirmou atuar na área desde 2013 e nunca ter enfrentado situação semelhante, expressando esperança de que a investigação da vigilância sanitária possa identificar possível contaminação em insumos ou instrumentos cirúrgicos utilizados.
Em nota oficial, a Clínica de Oftalmologia declarou: "A Clínica de Oftalmologia esclarece as informações relacionadas a intercorrências registradas no pós-operatório de cirurgias de catarata realizadas na última semana. Ressaltamos que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico, em conformidade com as normas médicas vigentes. A clínica realiza mais de 8 mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência, o que reforça o caráter pontual do episódio. Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais."
A tragédia médica reforça a importância de rigorosos controles sanitários e a necessidade de respostas ágeis do poder público para garantir a segurança e a continuidade do atendimento à população vulnerável.
