A fisioterapeuta e autora Raquel Castanharo, de 38 anos, compartilha sua jornada de superação após ser diagnosticada com câncer de mama em 2025, às vésperas de sua primeira maratona. Em depoimento, ela revela como a corrida se tornou um pilar de força e resiliência durante o tratamento.
O início da relação com o esporte
Raquel conta que sua relação com o esporte começou no meio acadêmico, estudando como o cérebro controla os movimentos. Ela fez mestrado sobre biomecânica da corrida na USP, mas não se exercitava regularmente. Foi ao postar vídeos informativos nas redes sociais que passou a correr com frequência. A falta de livros práticos sobre o tema a motivou a escrever "Este Livro Não É Só sobre Corrida", lançado recentemente pela Editora Planeta.
O diagnóstico e a decisão de viver
Em 2025, a dezessete dias da Maratona do Rio, Raquel foi diagnosticada com câncer de mama. Os médicos permitiram que ela competisse, pois duas semanas não alterariam o tratamento. Diante do medo, ela escolheu compartilhar sua jornada abertamente. Completou a prova e falou sobre a doença para incentivar o diagnóstico precoce, já que o seu foi tardio por não ter ido ao ginecologista por mais de um ano. O câncer já havia avançado, exigindo dois tipos de quimioterapia, radioterapia e mastectomia completa com esvaziamento axilar.
O papel da corrida no tratamento
Raquel decidiu que o tratamento não pararia sua vida. Um mês após a cirurgia, voltou às atividades físicas. Na primeira fase da quimioterapia, caminhava perto de casa. Na segunda fase, retomou treinos de força três vezes por semana e corrida na esteira duas vezes. Manter a rotina trouxe normalidade em meio aos efeitos colaterais. Estudos mostram que a atividade física reduz efeitos da quimioterapia e o risco de recidiva. Após entrar em bloqueio hormonal, que induziu menopausa aos 38 anos, a corrida ajuda a equilibrar a saúde e o humor.
Superação e novos sonhos
Nove meses depois, Raquel está melhor e fora do hospital. Ela sonha que seu livro ajude outras pessoas, sejam pacientes oncológicos, sedentários ou idosos. Hoje, sente a mesma alegria em completar 5 quilômetros como antes de enfrentar os 42 quilômetros. "Correr me conecta com o mundo ao meu redor. Me sinto parte de um movimento, e esse é meu verdadeiro remédio", conclui.



