Ciência descobre novo benefício do sexo: ajuda na cicatrização da pele
Sexo e ocitocina aceleram cicatrização, diz estudo

Um estudo científico internacional trouxe mais uma boa notícia para quem mantém uma vida sexual ativa e afetuosa. Pesquisadores da Alemanha, Suíça e Chile descobriram que a combinação entre intimidade física e o hormônio ocitocina pode acelerar significativamente o processo de cicatrização de feridas na pele.

O estudo e sua metodologia

A pesquisa, publicada na renomada revista JAMA Psychiatry, partiu de uma premissa conhecida: relações sociais positivas estão ligadas a uma melhor saúde e até à longevidade. Os cientistas decidiram investigar se interações amorosas poderiam melhorar a função imunológica, usando a cicatrização de feridas como um marcador concreto.

Para isso, recrutaram 80 casais heterossexuais, com idades entre 21 e 45 anos e pelo menos um ano de relacionamento. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Metade recebeu um spray nasal de ocitocina (o famoso "hormônio do amor") para usar duas vezes ao dia, junto com a instrução de realizar uma "tarefa de apreciação do parceiro", que envolvia toque afetuoso e atividade sexual. O outro grupo utilizou um placebo, mas também manteve os contatos íntimos.

Como foi medida a cicatrização

No laboratório, foram criadas quatro pequenas bolhas de sucção nos antebraços de cada voluntário, simulando lesões dermatológicas. Ao longo de sete dias, os casais seguiram o protocolo de administração da ocitocina ou placebo e praticaram a interação positiva estruturada. As feridas foram avaliadas 24 horas após a lesão e novamente após uma semana.

Paralelamente, os pesquisadores coletaram amostras de saliva para medir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e os participantes relataram seus níveis de estresse e a qualidade das interações. As coletas de dados começaram em 2011 e as análises estatísticas foram finalizadas em fevereiro de 2025.

Resultados e implicações para a saúde

Os resultados foram claros: o contato físico íntimo reduziu as respostas de cortisol ao estresse. Quando combinado com a administração de ocitocina, esse efeito se traduziu em uma cicatrização de feridas mais rápida e eficiente.

"Este estudo constatou que o contato físico íntimo pode reduzir as respostas de cortisol e, juntamente com a administração de oxitocina, promover a cicatrização de feridas", concluíram os autores. A pesquisa valida, em humanos, descobertas anteriores observadas em animais, destacando o papel do sistema neuroendócrino na saúde física.

Os cientistas reconhecem limitações, como a avaliação da cicatrização em apenas dois momentos, a falta de padronização exata dos atos de intimidade e o fato de terem participado apenas casais jovens e heterossexuais. Apesar disso, as descobertas abrem portas para novas abordagens terapêuticas.

"Essas descobertas fornecem uma base para futuras intervenções que integrem a dinâmica do relacionamento e a modulação neuro-hormonal para melhorar a saúde e a recuperação de doenças", afirmam no estudo.

Um lembrete importante

Embora a pesquisa seja mais um estímulo para incluir carinho e sexo na rotina, os benefícios da intimidade só são plenamente alcançados com consentimento mútuo e sem descuidar da prevenção. O uso de preservativos continua essencial para evitar a transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A ciência, mais uma vez, mostra que cuidar da vida afetiva e sexual é também cuidar da saúde integral.