Recuperação de astronautas: desafios após missão Artemis II
Recuperação de astronautas após Artemis II

Recuperação de astronautas: os desafios após o retorno da missão Artemis II

A astronauta Christina Koch compartilhou, em um vídeo, os efeitos da microgravidade no corpo humano e o processo de readaptação à Terra após participar da missão Artemis II. A engenheira passou dez dias em órbita da Lua ao lado de Reid Wiseman, Victor Glover e Jeremy Hansen, testando a espaçonave Orion e o foguete SLS com tripulação. Nas imagens, Koch aparece tentando andar de olhos fechados e perde o equilíbrio, ilustrando como mesmo um curto período fora da gravidade já provoca alterações significativas no corpo.

Perda de massa muscular e riscos para a coluna

Segundo o ortopedista Lucas Ramos, esse tipo de missão pode levar à perda de até 20% da massa muscular. Ele explicou à coluna GENTE que a microgravidade também provoca a expansão dos discos intervertebrais, fazendo com que astronautas “cresçam” entre 2 e 5 centímetros no espaço. Ao retornar, a volta da compressão gravitacional, sem suporte muscular adequado, aumenta o risco de hérnias de disco no período pós-voo imediato, “quando a coluna volta a ser submetida à compressão gravitacional sem o suporte muscular adequado”. A reabilitação inclui exercícios de resistência, carga progressiva e estímulos sensoriais.

Impactos sistêmicos: do sistema nervoso ao cardiovascular

O médico destaca ainda impactos sistêmicos, como a redistribuição de fluidos para a região da cabeça, associada à Síndrome Neuro-Ocular Associada ao Espaço (SANS), além de alterações cardiovasculares, como redução do volume plasmático e episódios de hipotensão ao ficar em pé. Saindo da estrutura óssea e muscular, o cardiologista Vagner Ferreira explica que o coração também sofre adaptações, podendo apresentar leve redução no tamanho do ventrículo esquerdo, geralmente reversível.

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“Um dos efeitos mais comuns é a intolerância ortostática, que é a dificuldade de manter a pressão arterial ao ficar em pé, podendo causar tontura ou até desmaios. Isso acontece porque o sistema cardiovascular ainda não retomou completamente sua capacidade de regular o fluxo sanguíneo contra a gravidade”, esclarece. O especialista explica que, na ausência de gravidade, há redistribuição dos fluidos corporais para a parte superior do corpo, exigindo menos esforço do coração para bombear o sangue. “Ao longo do tempo, pode haver uma redução do volume sanguíneo e um certo ‘descondicionamento’ do sistema cardiovascular, já que ele não precisa vencer a gravidade como na Terra”, completa.

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