Recém-lançado pela HarperCollins Brasil, o livro John & Paul: Histórias de Amor em Canções reúne fatos inéditos sobre a amizade dos músicos John Lennon (1940-1980) e Paul McCartney, que se conheceram ainda na adolescência e firmaram uma parceria que deu origem a uma das bandas mais importantes da história da música, o The Beatles. A trajetória da dupla, marcada por uma colaboração criativa intensa e frutífera, posteriormente causou problemas internos na banda, de acordo com os fatos narrados pelo biógrafo Ian Leslie.
Descoberta da composição
Segundo a narrativa, John e Paul descobriram juntos, ainda adolescentes, que podiam ser compositores. Na época, músicos britânicos não eram aclamados por suas composições tanto quanto os americanos, que reuniam um hall da fama invejável com Elvis Presley, Frank Sinatra e Bing Crosby. Quebrar aquela barreira foi inspirador para os astros: “John ou Paul esboçava uma ideia, refrão ou título, e juntos tentavam transformar aquilo em música”, escreve o biógrafo na página 35 do livro.
O pacto Lennon-McCartney
Diante da fluidez da colaboração, os britânicos estabeleceram um pacto de que todas as suas composições seriam assinadas por Lennon-McCartney, independentemente do grau de participação de cada um nas músicas. Posteriormente, McCartney diria que ambos sempre foram muito genuínos quanto a esse acordo, deixando todo e qualquer ego de lado.
Anos depois, durante os preparativos do primeiro disco dos Beatles, Please Please Me, de 1963, o pacto Lennon-McCartney voltou à tona, com os dois membros negociando com sua gravadora para lançar um EP assinado pelos dois. Pela primeira vez, o acordo firmado na adolescência se tornava lucrativo, e Brian Epstein, o empresário e agente dos Beatles, se tornou agente de Paul e John, com um contrato à parte para exercer tal função.
Cisão na banda
Com as músicas lançadas com a assinatura Lennon-McCartney, a banda passava a ter duas fontes de renda, com John e Paul dividindo os ganhos da parceria entre si e o restante com os Beatles. A determinação, porém, criou uma pequena cisão dentro do grupo. O guitarrista George Harrison (1943-2001), que também participava ativamente das composições da banda, chegou a ser cogitado para entrar na parceria, mas foi descartado depois que John e Paul resolveram manter as coisas entre si.
Enquanto se uniam criativamente, o restante dos Beatles gravitava em torno da parceria, sem participar ativamente dela. Posteriormente, Harrison falaria publicamente sobre esse momento: “John e Paul assumiram uma atitude do tipo ‘Nós dois somos os caras, vocês dois fiquem aí só assistindo’”, disse durante uma entrevista a Alan Freeman, na rádio BBC, no ano de 1974 — mesmo ano em que os integrantes assinaram termos para encerrar as atividades dos Beatles.



