Contrainfluenciadores combatem moda perigosa de 'looksmaxxing' nas redes
Contrainfluenciadores combatem 'looksmaxxing' perigoso

Da esquerda para a direita: Michael Mrozinski, Ben Hurst e James Brash abordam de forma crítica tendências populares de masculinidade nas redes sociais. Frases como "Bata nos ossos do seu rosto para esculpir o maxilar" ou "Seu corpo é a sua propaganda" são comuns entre os chamados "influenciadores de masculinidade", que prometem ensinar homens a se tornarem mais masculinos. Alguns se autodenominam healthmaxxers, focados em dieta e treino, enquanto outros são looksmaxxers, obcecados pela "maximização da aparência".

O que é o looksmaxxing?

O looksmaxxing é uma tendência online que propaga uma visão perigosa sobre a beleza masculina. Termos como "mogging" (ser mais bonito que outro homem) e "ascender" (tornar-se mais atraente) são usados. O padrão de beleza é restrito: traços faciais esculpidos e músculos visíveis são obrigatórios. Quase dois terços dos homens entre 16 e 25 anos no Reino Unido, EUA e Austrália consomem esse conteúdo regularmente, segundo pesquisa da Movember.

Críticas de profissionais

O Dr. Michael Mrozinski, médico esportivo com 15 anos de experiência, alerta seus 180 mil seguidores sobre os perigos. "Pode ter começado como 'aqui está minha rotina de academia', mas agora se transformou em 'bater no rosto com um martelo'", diz. Técnicas como "bone smashing" (quebrar ossos) causam sangramentos, hematomas e danos nos tecidos moles. O influenciador Clavicular, com meio milhão de seguidores no Instagram e 900 mil no TikTok, promove essa prática como "legítima" e admite uso de metanfetamina e esteroides.

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Riscos e alcance

Embora o termo "bone smashing" seja banido no TikTok, homens de 18 a 24 anos são os que mais pesquisam variações. Em fevereiro, houve mais de 300 mil buscas diárias por truques de looksmaxxing, com pico de 1,9 milhão em março. O conteúdo atinge meninos de até 13 anos, alguns ainda na pré-puberdade.

Contrainfluenciadores

James Brash, nutricionista e criador de conteúdo, critica o "excesso dos influenciadores" que dão conselhos sem evidências. Ele denuncia desinformação nutricional, como a falsa ideia de que homens do passado tinham mais testosterona. Já Steven Abelman, um healthmaxxer, foca em masculinidade além da aparência, promovendo dieta rigorosa e exercícios. "A sociedade está tornando os homens mais fracos, mas meu conteúdo pode fortalecê-los", afirma.

Alternativas saudáveis

Ben Hurst, da Beyond Equality, defende "diferentes masculinidades" nas redes. Ele destaca personalidades como Rory Bradshaw, que ensina ioga em prisões masculinas para combater a violência contra mulheres. "Esses homens promovem comunidade, não apenas perfeição individual", conclui Hurst.

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