Atendimentos por TDAH crescem 289% na região de Campinas em seis anos
Atendimentos por TDAH crescem 289% em Campinas

O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas registrou um aumento de 289% nos atendimentos relacionados ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) nos últimos seis anos. Os dados, divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, apontam que os atendimentos saltaram de 1.699 em 2020 para 6.618 em 2025.

Fatores para o crescimento

O psiquiatra Antônio Carvalho de Ávila Jacintho, especializado em infância e adolescência pela Unicamp, explica que o crescimento está associado a múltiplos fatores, como maior reconhecimento do transtorno, capacitação profissional e conscientização da sociedade. Segundo ele, pais e responsáveis estão mais atentos aos sinais, o que leva a uma busca precoce por avaliação médica.

Em 2025, o grupo de crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos representou 89% dos atendimentos. “Hoje, profissionais da saúde mental, como psiquiatras, psicólogos e pediatras, estão mais capacitados para identificar o TDAH”, destaca Jacintho.

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Evolução dos atendimentos

Os números anuais mostram uma trajetória ascendente:

  • 2020: 1.699
  • 2021: 2.244
  • 2022: 3.134
  • 2023: 4.390
  • 2024: 5.907
  • 2025: 6.618

O especialista alerta, no entanto, que nem toda criança desatenta ou inquieta possui TDAH, sendo fundamental um diagnóstico preciso.

Sintomas do TDAH

O transtorno é caracterizado por três sintomas centrais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Os sintomas variam conforme a faixa etária:

Em crianças e adolescentes

  • Agitação
  • Dificuldade de concentração

O médico ressalta que esses sintomas podem ser confundidos com comportamentos típicos da infância, dificultando o diagnóstico.

Em adultos

  • Desorganização mental e física
  • Dificuldade para diferenciar prazos e priorizar tarefas
  • Dificuldades nas relações interpessoais
  • Impaciência
  • Oscilações de humor
  • Adiamento constante de tarefas desafiadoras (procrastinação)

‘Não é moda’

Apesar do avanço na conscientização, o preconceito ainda persiste. Alícia, filha da psicopedagoga Ceschi Shishido, relata sentir vergonha na escola por não compreender a matéria rapidamente e afirma que colegas invalidam sua condição. “Meus amigos acham que TDAH é moda, brincam com isso, principalmente quando tiro notas altas, dizem que a prova estava mais fácil”, conta a menina.

A mãe, Clarissa, reforça a seriedade do transtorno. “TDAH não é moda, nem um rótulo. É uma dificuldade real. Precisamos de um olhar individual e respeito. Parem com brincadeiras que ferem quem tem o transtorno”, declara.

Compreensão e apoio

Patrícia Campos, mãe de Isac, lembra que o filho não conseguia manter o foco na escola a ponto de não copiar a lição. A situação mudou com a percepção de uma professora. “Ela me disse: ‘ele não faz porque não consegue, não porque não quer’”, recorda. Após o diagnóstico, Isac aprendeu a lidar melhor com a ansiedade e encontrou apoio familiar. O irmão mais velho, João Victor, afirma: “Não adianta ter TDAH sem suporte em casa. Se ele precisar, estarei sempre ali”.

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