A Câmara Municipal de João Pinheiro, em Minas Gerais, deu um passo decisivo para investigar um grave caso de erro médico que culminou na morte de um idoso. Foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de apurar todas as circunstâncias envolvendo o falecimento de Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, após uma pinça cirúrgica ter sido esquecida dentro de seu corpo durante uma operação.
Uma tragédia familiar no Natal
O fim de ano de 2025 ficou marcado pela dor para a família Cardoso de Brito. Manoel, um ex-servidor público que dedicou 26 anos como gari na prefeitura local, faleceu no dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Seu filho, Samuel Cardoso Rezende de Brito, descreve o pai como o "esteio da família", um homem honesto e trabalhador que superou um AVC há cinco anos.
A internação de Manoel começou no dia 5 de dezembro, quando ele foi submetido a uma cirurgia de urgência por conta de uma úlcera gástrica no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. Apesar de informarem que o procedimento transcorreu normalmente, o idoso apresentou complicações. Uma tomografia realizada no dia 11 de dezembro revelou a presença de um corpo estranho em seu organismo: uma pinça cirúrgica.
Sequência de fatos e exonerações
Diante da descoberta, Manoel foi levado apressadamente para uma segunda cirurgia, sem que a família fosse formalmente comunicada ou autorizasse o novo procedimento. Após a retirada do instrumento, seu estado se agravou. Ele permaneceu internado por 13 dias, mas não resistiu, vindo a óbito.
Em resposta à comoção e para "resguardar o processo de apuração", a Prefeitura de João Pinheiro determinou, na segunda-feira (12 de janeiro), a exoneração do médico e do instrumentador envolvidos na primeira cirurgia. No mesmo dia, a secretária municipal de Saúde, Cássia Maria Alves Trajano, também foi exonerada. Em nota, a ex-secretária afirmou que o pedido de saída partiu dela, por motivos pessoais, negando qualquer relação com a abertura da CPI.
Objetivos da Comissão de Inquérito
A CPI, criada através do Requerimento nº 01/2026 e assinada por todos os vereadores, tem metas claras. A comissão vai:
- Apurar minuciosamente as circunstâncias do atendimento prestado a Manoel.
- Verificar a regularidade dos procedimentos médicos e administrativos adotados pelo hospital.
- Analisar possíveis falhas, omissões ou irregularidades na condução do caso.
- Determinar responsabilidades no âmbito administrativo, sem prejuízo das esferas cível e penal.
- Propor medidas corretivas e preventivas para melhorar a segurança dos pacientes na rede municipal de saúde.
O advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, vê na CPI uma esperança. "A família confia que todas as responsabilidades serão apuradas com transparência e seriedade", declarou. Ele ressaltou que a busca não é por vingança, mas por verdade, justiça e a prevenção de novos casos similares.
A Prefeitura de João Pinheiro, em nota oficial, reafirmou seu compromisso com a transparência e informou que está colaborando integralmente com a CPI, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos solicitados.