Fabíola Costa, em estado vegetativo, recebe alta e família se reúne em Juiz de Fora
Fabíola Costa recebe alta e família se reúne em Juiz de Fora

A brasileira Fabíola Costa, de 32 anos, que permanece em estado vegetativo após sofrer um mal súbito nos Estados Unidos, recebeu alta hospitalar e já está em sua casa, no bairro Granjas Betel, em Juiz de Fora (MG). A informação foi confirmada pelo marido, Ubiratan Rodrigues, de 41 anos, nesta sexta-feira (16).

Reencontro familiar e continuidade do tratamento

O retorno de Fabíola para o ambiente domiciliar marca um novo capítulo na jornada da família. Ubiratan e os três filhos do casal, com idades de 17, 14 e 5 anos, retornaram definitivamente dos Estados Unidos para Juiz de Fora em dezembro, completando o reencontro familiar após um período de separação e luta.

Fabíola seguirá o tratamento em casa, no modelo de home care, custeado de forma particular. Segundo Ubiratan, não houve mudança no quadro clínico da esposa, que segue em estado vegetativo, com continuidade dos cuidados paliativos no ambiente domiciliar.

Entre os cuidados necessários estão a aspiração pela traqueostomia, alimentação e hidratação por sonda gástrica, higienização por meio da bolsa de colostomia e uso regular de medicamentos. Ela segue em tratamento com antibiótico, além de remédios para controle da pressão arterial e anticoagulante.

Casa adaptada e uma batalha diária

Um dos principais focos da família agora é a casa adquirida no Bairro Granjas Bethel. O imóvel foi comprado com recursos arrecadados em campanhas solidárias e passa por adaptações para garantir acessibilidade, segurança e conforto para Fabíola.

As mudanças incluem adequações no quarto, no banheiro e na entrada da residência, que antes tinha apenas escadas. "Cada detalhe está sendo pensado com muito cuidado, para que ela possa ficar bem assistida e segura", afirmou Ubiratan.

O marido, que já realizava exercícios de fisioterapia com Fabíola durante a internação dela nos Estados Unidos, continuará responsável por essa parte do tratamento. A mãe de Fabíola, que mora em frente, deve passar a viver com eles, assim como o pai e o irmão dela, que tem síndrome de Down.

"É uma batalha diária. Só dela ter saído do hospital já é uma batalha vencida. Vamos vivendo um dia após o outro, mas a sensação é de dever cumprido", desabafou Ubiratan. A decisão de levá-la para casa foi motivada pelo quadro estabilizado e sem febre, além do medo de uma nova infecção no ambiente hospitalar.

Trajetória de luta e solidariedade

A saga da família começou em 2019, quando Fabíola e Ubiratan se mudaram para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades. Em 20 de setembro de 2024, Fabíola, sem histórico de doenças, sofreu um mal súbito em casa, em Orlando, na Flórida.

Ela sofreu três paradas cardíacas e uma perfuração no pulmão durante a reanimação, o que causou uma lesão cerebral grave e a levou ao estado vegetativo. Até hoje, os médicos não conseguiram identificar a causa definitiva da parada cardíaca.

Após sete meses internada nos EUA com alta em abril de 2025, a família enfrentou desafios logísticos e financeiros para o retorno ao Brasil. Inicialmente, Ubiratan planejava uma viagem terrestre de 50 dias em um motorhome adaptado, mas uma ação solidária permitiu o transporte de Fabíola em um avião particular em 20 de outubro de 2025.

Desde o mal súbito, as despesas acumuladas ultrapassaram R$ 500 mil. Fabíola ficou internada no Hospital Ana Nery, em Juiz de Fora, desde seu retorno ao Brasil, até receber alta para o tratamento domiciliar. A família agora pretende buscar acompanhamento psicológico para lidar com os traumas do período.