Luciano Huck se pronunciou neste domingo, 24, após suas declarações sobre o Bolsa Família no 5º Fórum Esfera gerarem forte repercussão negativa nas redes sociais. O apresentador do Domingão, da Globo, usou seu perfil online para esclarecer o contexto de sua fala e reafirmar seu apoio a políticas de proteção social, mas defendeu que os programas sejam constantemente aprimorados.
Durante o evento, Huck citou a cidade de Senhor do Bonfim (BA) ao comentar sobre a quantidade de famílias atendidas pelo Bolsa Família e defendeu mudanças estruturais para ampliar oportunidades de mobilidade social. Em seu pronunciamento, ele afirmou: “Tive uma fala em um evento fechado, tá? Fora do Domingão, não era nas minhas redes sociais, não foi uma entrevista que eu dei. E um trecho dessa fala acabou circulando meio fora de contexto. Em alguns cortes, dá a entender que eu seria contra programas de proteção social. Isso não é verdade (…). Eu sou a favor de políticas de proteção social que ajudam milhões e milhões de brasileiros. Enfim, o que eu defendo é que esses programas sejam constantemente aperfeiçoados”.
Anteriormente, ele havia sido taxativo: “Ao concentrar 56% da sua economia no Bolsa Família, você não gera nenhum estímulo para elas saírem. Na verdade, elas queriam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa ad aeternum [para sempre]”. O erro está em generalizar as famílias que dependem dessa ajuda para sobreviver.
Não há incômodo, por ele exposto nesta mesma fala, com o outro lado, no extremo oposto da pirâmide social. No Brasil, os 10% mais ricos concentram cerca de 70% de toda a riqueza nacional, enquanto a metade mais pobre da população divide apenas 2,4% do patrimônio. O país é um dos líderes mundiais em desigualdade na concentração de renda, com o topo da pirâmide pagando proporcionalmente menos impostos. Disso ele foi bastante cobrado nas redes, mas nada disse. Falar de uma ponta da tabela sem citar o contexto em que se encontra a ponta oposta soa como defesa de classe.
O Fórum Esfera reúne lideranças da política, da economia e do setor produtivo para discutir temas estratégicos para o Brasil.



