A atriz e apresentadora Tainá Müller, de 43 anos, assumiu recentemente o comando do tradicional 'Café Filosófico' da TV Cultura. Diagnosticada com altas habilidades e superdotação aos 5 anos de idade, ela revela que os questionamentos filosóficos sempre foram uma forma de alimentar seu cérebro acelerado. Em entrevista exclusiva, Tainá compartilha os desafios de crescer com o diagnóstico e a importância de discutir o tema atualmente.
Diagnóstico precoce e infância desafiadora
Tainá conta que aprendeu a ler sozinha aos 3 anos e que, desde cedo, era colocada em rodas de adultos para ler, sem entender por que achavam aquilo especial. Na creche, tinha dificuldade de adaptação e não conseguia brincar com crianças da mesma idade. A mãe, preocupada, a levou a um especialista que confirmou a superdotação. Com isso, Tainá foi adiantada diretamente para a primeira série, o que acelerou toda sua vida escolar: entrou na faculdade aos 16 anos, mas não podia frequentar festas.
Visão equivocada sobre superdotação
Para Tainá, a superdotação não é apenas um dom vantajoso. Ela explica que é uma forma diferente de funcionamento cerebral, com facilidades em algumas áreas, mas também dificuldades e intensidades em outras. Na escola, demorou a fazer amigos, passava os recreios sozinha e sofria bullying por ser participativa demais nas aulas. O processo teve um custo emocional significativo.
Evolução do debate e falta de acompanhamento
A atriz celebra que o tema da superdotação seja discutido hoje em dia, algo que não via há 30 anos. Na infância, não recebeu acompanhamento psicopedagógico, apenas foi adiantada na escola. Ela acredita que, com suporte adequado, sua vida teria sido mais tranquila. Agora, no 'Café Filosófico', encontra um espaço para explorar suas inquietações e alimentar seu cérebro com conhecimento.
O lugar de Tainá na TV Cultura
Tainá descreve a experiência no programa como 'cócegas cerebrais de prazer'. Ela brinca que seu cérebro relaxa e encontra vazão para a árvore de pensamentos que monta o tempo todo. A apresentadora, que fez pós-graduação em filosofia, afirma que sempre buscou conhecimento sem pretensão acadêmica, apenas para entender o mundo.



