Pintura terapêutica transforma reabilitação de pacientes em Sorocaba
Pintura terapêutica transforma reabilitação em Sorocaba

Nem toda reabilitação começa pelo corpo. Às vezes, é preciso reencontrar a confiança. No Centro de Reabilitação Lucy Montoro, em Sorocaba (SP), o projeto Pintura Solidária transforma telas em caminhos de recomeço para pacientes que enfrentam desafios diários.

Histórias de superação

A história de Carla Jennifer Ribeiro, motorista de ônibus de 37 anos, é marcada por superação. Após sofrer um acidente de moto, ela teve múltiplas fraturas e passou 44 dias em coma. "Além de ser terapêutico, a oficina dá os estímulos necessários para exercitar o corpo. São movimentos que a gente faz no dia a dia de forma natural. A terapia ajuda a recuperar esses movimentos", completa Carla.

Já Gilmária Jesus das Flores, cabeleireira de 49 anos, iniciou sua luta em 2015, com o diagnóstico de câncer de mama. Após a metástase, perdeu o movimento do braço direito. Aos 68 anos, Maria Ângela Hingst, dona de casa, segue em um processo delicado, redescobrindo a própria autonomia.

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Origem do projeto

O projeto nasceu em 2003, quando Vera Lúcia decidiu transformar a vontade de ajudar o próximo em ação. Com telas, tintas e pincéis, ela começou a levar a pintura para crianças em tratamento contra o câncer, colorindo dias difíceis. Hoje, a iniciativa está presente em 18 instituições de Sorocaba, levando não só técnica, mas acolhimento e cuidado.

"Eu fui com a cara e com a coragem e, aos poucos, fazendo as adaptações. Uma coisa que me marcou muito foi quando um dos médicos me disse que quando a criança faz tratamento e participa de uma oficina de pintura, parece que o medicamento faz efeito melhor", diz Vera.

Benefícios para todos

As mãos podem até chegar inseguras, mas, aos poucos, encontram firmeza. O novo toma forma a cada pincelada. A oficina também é aberta aos acompanhantes, como José Benedito Canno, aposentado, que se surpreendeu com o que conseguiu fazer. "Foi uma surpresa. Eu gostei muito, apesar de não ter tanto talento para pintura, deu pra fazer alguma coisa", comenta.

A arte é acessível e gratuita. Não é só a tela que ganha cor, mas também a rotina e a autoestima dos participantes. O projeto não muda diagnósticos, mas transforma a forma como eles são enfrentados. O resultado vai além do que se mede: está no olhar de quem volta a se reconhecer.

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