O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou por um procedimento cirúrgico na manhã desta quarta-feira para remover uma lesão no couro cabeludo, diagnosticada como carcinoma basocelular, o tipo mais frequente e menos agressivo de câncer de pele. A intervenção foi realizada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. No mesmo local, Lula também foi submetido a uma infiltração no punho para tratar uma tendinite, que vinha causando dores no polegar direito.
De acordo com a Presidência da República, ambos os procedimentos são considerados leves, não exigem repouso e não devem interferir na agenda oficial do presidente. A cirurgia para retirada da lesão cutânea é padrão para esse tipo de tumor, que raramente metastatiza, mas requer remoção completa com margem de segurança.
O que é o carcinoma basocelular?
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o carcinoma basocelular surge em áreas do corpo frequentemente expostas ao sol, como cabeça, pescoço e orelhas. Manifesta-se como pápulas peroladas, feridas que não cicatrizam ou pequenas elevações brilhantes na pele, que podem crescer lentamente ao longo do tempo.
A dermatologista Carla Genevcius explica que esse tipo de câncer tem baixo potencial de metástase, mas pode causar danos locais se não tratado. “Tem uma agressividade local, porém baixa”, afirma. O tumor se origina nas células basais da epiderme, a camada mais profunda da pele, e está diretamente relacionado à exposição solar cumulativa ao longo da vida.
“O sol tem um efeito cumulativo: a quantidade de radiação que recebemos desde a infância vai se acumulando, causando mutações no DNA das células e favorecendo o surgimento de oncogenes, enquanto prejudica os genes supressores de tumor”, detalha a médica. Esse processo é lento e geralmente resulta em lesões na terceira idade.
O tratamento padrão é cirúrgico, com a remoção da lesão e de uma margem de pele saudável ao redor, para garantir a eliminação completa das células cancerígenas.
Aumento da incidência global
Um estudo global publicado no periódico JAMA Dermatology em 2023 revelou que a incidência de carcinoma basocelular cresceu 61,3% entre 1990 e 2021, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Infiltração no punho para tratar tendinite
Além da cirurgia dermatológica, Lula recebeu uma infiltração no punho para aliviar os sintomas de tendinite, que causava dores no polegar direito. A técnica consiste na aplicação de uma injeção, geralmente com corticoides, na região afetada, reduzindo a inflamação e a dor de forma rápida.
A infiltração é indicada quando o tratamento convencional – que inclui repouso, fisioterapia e medicamentos anti-inflamatórios – não apresenta resposta adequada. O procedimento permite a continuidade da reabilitação com maior mobilidade e alívio imediato dos sintomas.
O ortopedista José Zabeu, do Hospital Vera Cruz, explica que as infiltrações são comuns no tratamento de problemas musculoesqueléticos, como tendões e articulações. “As mais frequentes são as articulares, com anti-inflamatórios, corticoides e ácido hialurônico. Nos tendões, infiltramos anti-inflamatórios ao redor para reduzir o inchaço”, diz.
No caso de Lula, Zabeu acredita que se trata de uma inflamação ao redor do tendão, que causa dor. “Quando você injeta um líquido à base de corticoide, desinflama e o tendão melhora”, conclui.



