Expectativa histórica: viúva de Marielle Franco aguarda julgamento no STF com esperança renovada
A vereadora Mônica Benício (Psol), viúva de Marielle Franco, expressou, em entrevista à Globonews, uma alta expectativa para o resultado do julgamento dos mandantes do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão tem início nesta terça-feira (24) e deve se estender até quarta-feira (25), marcando um momento crucial na busca por justiça após mais de cinco anos do crime.
Crime de Estado e desconfiança nas instituições
Mônica Benício lembrou que Rivaldo Barbosa, réu no processo e ex-chefe de polícia, foi uma das primeiras autoridades a receber a família, prometendo rigor nas investigações. No entanto, o caso só avançou significativamente após sair da alçada da Polícia Civil e ser assumido pela Polícia Federal. "O Brasil está acostumado a não punir autoridades que cometem crimes, e não são poucas. A gente demorou 5 anos para chegar a uma resposta, prisão dos mandantes da execução, mas chegamos e agora vamos ao julgamento", afirmou a vereadora.
Ela destacou ainda a natureza do crime: "Foi um crime cometido por agentes do Estado. O Domingos Brazão ainda é conselheiro do Tribunal de Contas do Rio. O Chiquinho perdeu o mandato não por ser o mandante, mas por falta", acrescentou, reforçando a necessidade de uma condenação exemplar.
Esperança renovada e acompanhamento familiar
A viúva revelou que a família acompanha o julgamento com uma mistura de preocupação e expectativa, admitindo que, ao longo dos anos, as esperanças quase se esvaíram. "O Rivaldo Barbosa era chefe de polícia e foi uma das primeiras autoridades que nos recebeu e nos deu sua palavra. Não é fácil acreditar nas instituições desse país, mas nesse momento nossa expectativa é que o STF nos mostre que as instituições funcionam", declarou.
Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro, quando seu veículo foi seguido e alvejado por criminosos. A assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque, tornando-se testemunha crucial.
Réus e detalhes do processo
Os acusados que respondem ao processo incluem:
- Chiquinho Brazão (deputado federal) e Domingos Brazão (ex-conselheiro do TCE-RJ), apontados como mandantes;
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, acusado de ser o mentor intelectual;
- Ronald Paulo Alves Pereira (Major Ronald), responsável por monitorar a rotina de Marielle;
- Robson Calixto Fonseca (Peixe), ex-PM, suspeito de ajudar a ocultar a arma e integrar o núcleo financeiro.
A denúncia abrange crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa, com interrogatórios já concluídos e alegações finais entregues até junho.
Depoimentos emocionados e defesas
Durante os interrogatórios no STF, os réus apresentaram versões distintas:
- Chiquinho Brazão chorou e afirmou ter boa relação com Marielle, negando conhecer os executores;
- Domingos Brazão disse preferir ter morrido no lugar da vereadora, alegando ser vítima de delações;
- Rivaldo Barbosa declarou sentir-se "assassinado" pela prisão, culpando Ronnie Lessa por mentiras;
- Robson Calixto negou participação, atribuindo sua citação ao fato de ser motorista de Domingos.
Etapas do julgamento e expectativas
O julgamento será conduzido pela Primeira Turma do STF, com o ministro Alexandre de Moraes como relator. As etapas incluem:
- Apresentação do relatório por Moraes;
- Manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR);
- Defesas dos acusados, com uma hora para cada advogado;
- Votação dos ministros, sendo necessários três votos para condenação ou absolvição.
Mônica Benício espera uma condenação exemplar para enviar uma mensagem à sociedade: "Justamente para que a gente possa dar um recado para a sociedade de que brutalidades como essa não podem acontecer em contexto nenhum. É um momento muito importante para a história do Brasil e a nossa expectativa é de que sirva de exemplo", finalizou.



