Toffoli indica peritos da PF para análise de provas do caso Master
Toffoli indica peritos da PF para analisar provas do Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma nova decisão no inquérito que investiga o esquema ligado a Daniel Vorcaro, no Banco Master. Nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o magistrado indicou oficialmente uma equipe de quatro peritos da Polícia Federal para realizar a análise dos itens apreendidos durante a operação deflagrada na véspera.

Sequência de decisões gera controvérsia

A operação policial, executada na quarta-feira, 14 de janeiro, cumpriu 42 mandados de busca e apreensão contra investigados pelo suposto envolvimento no caso. Inicialmente, Toffoli determinou que todo o material coletado ficasse sob a custódia exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, o ministro autorizou o envio dos documentos diretamente à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A mais recente determinação nomeia quatro peritos oficiais da PF para examinarem as evidências. A medida busca dar andamento técnico às investigações, mas a trajetória das decisões tem sido alvo de questionamentos por parte de especialistas em criminalística.

Nota de alerta da Associação Nacional de Peritos

Também nesta quinta-feira, a Associação Nacional de Peritos Criminais Federais (ANPCF) emitiu uma nota oficial manifestando "preocupação" com os rumos do caso. A entidade, que representa os profissionais da área, dirigiu-se ao ministro Toffoli para alertar sobre um possível "risco de perda de provas".

No documento, a ANPCF critica o envio direto do material à PGR e a postergação da perícia criminal formal. Os peritos argumentam que procedimentos fora do padrão podem comprometer a integridade das evidências, especialmente as de natureza digital.

Os principais riscos apontados pela associação são:

  • Perda de vestígios relevantes para a ação penal.
  • Oportunidades técnicas irrepetíveis, como a análise de dispositivos eletrônicos ainda ativos.
  • Modificações automáticas nos sistemas operacionais dos aparelhos apreendidos.

"A ANPCF vê com preocupação os riscos operacionais e técnicos envolvidos na ausência do envio imediato dos materiais à perícia criminal", afirma trecho da nota. A entidade defende que a análise deve ser feita sem demora e nas unidades oficiais de criminalística, seguindo os protocolos técnicos estabelecidos.

Os próximos passos da investigação

Com a indicação dos peritos da Polícia Federal, espera-se que as análises dos itens apreendidos na operação contra o Banco Master tenham início em breve. O foco das investigações permanece no suposto esquema comandado por Daniel Vorcaro.

A atuação do ministro Toffoli e a resposta às críticas da classe pericial serão observadas de perto, pois envolvem questões sensíveis sobre a preservação da cadeia de custódia de provas em um processo de grande repercussão nacional. O caso segue sob sigilo no STF.