Mário Frias ao STF: defesa nega desvio de emendas para filme de Bolsonaro
Mário Frias ao STF: defesa nega desvio de emendas

Em uma petição de quinze páginas enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados do deputado federal Mário Frias (PL-SP) solicitaram o arquivamento de uma investigação sobre o suposto direcionamento de emendas parlamentares para a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o documento, o deputado repassou 2 milhões de reais por meio de duas emendas, com “finalidade definida” para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), mas a defesa nega que a verba tenha sido redirecionada para a produtora Go Up Entertainment.

O ICB e a Go Up são comandados pela mesma pessoa, Karina Ferreira da Gama, que já atuou como assessora do deputado federal. A apuração no Supremo teve início a partir de uma representação feita pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).

Defesa contesta acusações de irregularidades

“Não se trata, portanto, de ‘emendas pix’, caracterizadas por transferências especiais sem vinculação a objeto específico. A denunciante, de forma dolosa ou gravemente negligente, classifica genericamente os repasses como ‘emendas pix’, desconsiderando a distinção constitucional expressa e a documentação técnica disponível no sistema Transferegov, onde consta o objeto específico de cada transferência”, afirmam os advogados Diego Aguilera Martinez e Fabiola Pasquarelli Machado em trecho da petição. Eles acrescentam que a conduta da denunciante “configura falsa narrativa com potencial de induzir este Juízo e a opinião pública a erro, o que é inadmissível em um Estado Democrático de Direito”.

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Nota técnica da Câmara é citada

Os defensores também anexaram a nota técnica nº 195/2026, da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados (Conof), que afirmou não ter identificado irregularidades na apresentação das emendas parlamentares encaminhadas por Frias. “A execução orçamentária observa integralmente os requisitos da Resolução CN nº 01/2006-CN e da Lei de Diretrizes Orçamentárias vigente, bem como os parâmetros estabelecidos nos autos da ADPF 854”, diz o documento.

Recursos destinados a projetos sociais

Ainda segundo a defesa, os recursos encaminhados por meio das duas emendas foram para projetos de inclusão e letramento digitais, empreendedorismo e esportes. “A denunciante sustenta, em sua petição, que os recursos públicos das emendas parlamentares do deputado Mário Frias teriam sido ‘triangulados’ para financiar a produção do filme privado Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Tal afirmação é absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”, reiteram os advogados.

Contexto da investigação

As apurações envolvendo a produção do filme Dark Horse começaram após a divulgação de um áudio pelo site The Intercept Brasil, que revelou uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro do banco Master Daniel Vorcaro. No áudio, o filho do ex-presidente cobra parcelas atrasadas de um acordo de 134 milhões de reais em patrocínio para o filme, alegando necessidade de honrar compromissos, como o pagamento de atores internacionais.

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