Faltando vinte semanas para as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um plano de combate ao crime organizado com investimento de 11 bilhões de reais. A iniciativa, apresentada pelo Palácio do Planalto, depende de apoio político e integração com as forças policiais dos 26 estados e do Distrito Federal, mas não foi previamente combinada com os governos estaduais nem com o Congresso Nacional.
Plano improvisado para agenda eleitoral
Segundo analistas, a medida representa uma estratégia do governo para incluir a segurança pública na pauta dos debates eleitorais. O improviso e a pressa indicam fragilidade no plano, priorizando o marketing da reeleição. Pela primeira vez em três mandatos e após onze anos e quatro meses no Planalto, Lula reconhece que o governo federal tem parcela de responsabilidade na crise de segurança, antes atribuída exclusivamente aos governadores.
Contexto eleitoral e rejeição
O anúncio ocorre em meio a pesquisas que mostram 40% dos eleitores (69 milhões de pessoas) relatando atuação de grupos criminosos em seus bairros, segundo o Datafolha. Lula, que antes evitava o tema, agora não pode escapar do debate. O plano soma-se a um pacote eleitoral de mais de 140 bilhões de reais em iniciativas, valor equivalente ao aprovado pelo Congresso em 2022 para cobrir gastos de Jair Bolsonaro.
No entanto, o pacote ainda não gerou os efeitos esperados. Pesquisa Futura da semana passada indica que a rejeição a Lula permanece próxima de 50%, assim como a de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
- Investimento de R$ 11 bilhões em segurança
- Depende de integração com estados e Congresso
- Reconhecimento inédito de responsabilidade federal



