Derrota de Messias desmoraliza discurso de Lula sobre força no Congresso
Derrota de Messias desmoraliza discurso de Lula

A derrota imposta pelo Senado a Jorge Messias, nesta quarta-feira, adiciona um novo e amargo capítulo na biografia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com três mandatos no currículo, o petista tornou-se o primeiro mandatário na história moderna do Brasil a ter um indicado ao Supremo Tribunal Federal preterido pelos senadores. Isso ocorre justamente com Lula, que sempre se vangloriou de ter apoio incondicional do Legislativo, mesmo sabendo que essa afirmação não era necessariamente verdadeira.

“Diziam que a gente ia ter dificuldade porque o Senado era contra, a Câmara era contra, e nós conseguimos aprovar tudo que a gente queria aprovar”, disse Lula no ano passado. Agora, não há mais como repetir tal discurso. E parte da culpa pelo insucesso de Messias, barrado nas portas do olimpo, é do próprio Lula, que optou por medir forças com Davi Alcolumbre ao preterir Rodrigo Pacheco, desde o início o candidato do presidente do Senado e de boa parte dos políticos do Congresso para integrar a Corte.

Cheio de soberba, Lula se reuniu com Davi Alcolumbre há cinco meses para falar da escolha do ministro do STF, em um encontro sigiloso. O petista, dando de ombros para o chefe do Legislativo, chamou Jaques Wagner e permitiu que o líder do governo vazasse o conteúdo da conversa para a imprensa, anunciando que Lula havia ignorado Alcolumbre e decidido por Messias, preterindo Pacheco. Tudo ficou devidamente anotado na caderneta do amapaense.

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A imprudência de Lula — ou excesso de confiança — ignorou a insatisfação crescente no Legislativo com o abuso de uma fórmula implementada pelo petista na atual gestão: colocar amigos e ex-auxiliares no STF. Funcionou com Cristiano Zanin, funcionou com Flávio Dino e poderia até ter funcionado com Messias. O Senado, no entanto, optou por não dar a Lula um terceiro ministro de fidelidade inconteste, que assumiria a vaga no Supremo para assinar decisões favoráveis ao Planalto e desfavoráveis ao Parlamento.

Faz parte do processo democrático que o presidente da República escolha o nome do futuro ministro do STF e que o Senado decida se o escolhido pelo chefe do Planalto merece ser nomeado na Suprema Corte. Com uma longa tradição de sabatinas homologatórias, o Senado desmoralizou o suposto rigor no processo de escolhas de magistrados. A derrota dói mais nos envolvidos por causa disso. Nunca antes na história deste país, como gosta de dizer o petista, um presidente da República, com máquina e orçamento na mão, colheu um fracasso tão grande.

Animal político que é, Lula não se dirá derrotado. Colocará a culpa no próprio escolhido, na conjuntura eleitoral e no falho modelo de “toma lá, dá cá” nesta quadra vivida, com emendas impositivas e baixo poder de barganha do Executivo diante de um Legislativo fortalecido e com cofres cheios. Não escapará, porém, de ostentar a imagem de um presidente enfraquecido.

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