BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve arquivar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Master e ignorar o requerimento da oposição para investigar os desvios no banco. Para que a CPI seja instalada, a leitura do requerimento é obrigatória na sessão do Congresso marcada para esta quinta-feira (30), a primeira desde o protocolo do pedido. No entanto, Alcolumbre quer evitar o tema e fez um acordo com a oposição para que não haja contestações a essa decisão, conforme relataram congressistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.
Acordo político enterra investigação
Em troca do arquivamento da CPI, Alcolumbre pautou o veto ao projeto de lei da dosimetria, que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A tendência é que o veto seja derrubado pelo Congresso. Como mostrou a Folha de S.Paulo, Alcolumbre e o relator do projeto da dosimetria, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), negociaram com a oposição para que a votação do veto não implicasse na leitura do requerimento da CPI do Master.
A cúpula do Congresso quer evitar a repercussão do caso Master, que pode expor ainda mais a classe política – parte dos líderes partidários, deputados e senadores mantinha relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, que se tornou uma figura pública altamente impopular. O acordo para analisar o veto da dosimetria sem a leitura da CPI foi selado quando Alcolumbre anunciou a sessão do Congresso há cerca de três semanas, junto com a sabatina e votação da indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal), que acabou rejeitada nesta quarta-feira (29) pelo Senado.
Governo Lula não pressiona por CPI
O governo Lula não deve fazer esforço para que a CPI do Master seja instalada, por entender que é uma pauta negativa, que mantém o tema da corrupção em debate e ofusca as entregas do governo – como a proposta de redução da jornada de trabalho e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O requerimento do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) para abertura de uma CPI mista, composta por deputados e senadores, foi protocolado em 3 de fevereiro com apoio de 281 parlamentares. O foco são as relações de ministros do STF com Daniel Vorcaro.
Há também um pedido do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) na Câmara dos Deputados, que mira nos desvios do Master com o BRB (Banco de Brasília). Na Câmara, o requerimento está engavetado por enfrentar uma fila de pedidos de CPI protocolados anteriormente. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também propôs uma CPI sobre o Master exclusiva no Senado ainda no ano passado, mas Alcolumbre tampouco fez a leitura desse requerimento. O parlamentar recorreu ao STF, e o caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, ainda sem decisão.
Outras CPIs foram encerradas sem conclusão
Sem o andamento dessas CPIs específicas sobre o Master, parlamentares da base aliada e da oposição utilizaram outras duas comissões que estavam instaladas para acessar documentos, quebras de sigilo e relatórios de inteligência financeira envolvendo o banco de Vorcaro. No entanto, as CPIs dos desvios no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e do Crime Organizado foram encerradas sem prorrogação do prazo pelo presidente do Senado. Nos dois casos, não houve votação de um relatório final para a tomada de demais providências.
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