STF isenta Leila Pereira de comparecer à CPMI do INSS; depoimento é cancelado
STF isenta Leila Pereira de depor na CPMI do INSS

STF isenta presidente do Palmeiras de depor na CPMI do INSS

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão significativa nesta terça-feira (17) ao determinar que a presidente do Palmeiras e da Crefisa, Leila Pereira, não está obrigada a comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O depoimento da empresária estava agendado para esta quarta-feira (18), mas foi cancelado imediatamente após a publicação da decisão judicial.

Direito ao silêncio e justificativa de viagem

Além de isentar Leila Pereira da obrigatoriedade de comparecimento, a decisão de Gilmar Mendes também autorizou expressamente que a presidente do Palmeiras permanecesse em silêncio caso optasse por participar voluntariamente da audiência. Esta medida reforça as garantias processuais da convocada perante a comissão parlamentar.

Na semana anterior à decisão, a defesa de Leila Pereira já havia formalmente comunicado à CPMI que a empresária não poderia participar das investigações devido a compromissos internacionais. Segundo os advogados, ela estará fora do país entre os dias 10 e 25 de março, período que coincide com parte do calendário de trabalhos da comissão.

Disponibilidade condicional e prazos da investigação

Apesar da decisão judicial que a isenta de comparecimento obrigatório, Leila Pereira manifestou publicamente que está "à disposição" da CPMI para prestar esclarecimentos, desde que a comissão demonstre interesse em ouvi-la. Esta declaração foi feita após a divulgação da decisão do STF, indicando uma postura colaborativa, porém condicionada à legalidade do processo.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS está prevista para funcionar até o dia 28 de março, com sua última sessão ordinária marcada para 26 de março. O cronograma apertado cria uma janela temporal limitada para eventual depoimento voluntário da presidente do Palmeiras, considerando seus compromissos internacionais previamente agendados.

Contexto da convocação e alegações de irregularidades

O requerimento para que Leila Pereira fosse ouvida pela CPMI foi de autoria do relator Alfredo Gaspar, deputado federal pela União-AL. A solicitação se baseou em informações prestadas pelo próprio presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, durante depoimento realizado no início de fevereiro.

Segundo o relator, a Crefisa – empresa presidida por Leila Pereira – assumiu um papel central na operação de pagamento de novos benefícios previdenciários, mas posteriormente passou a ser alvo de medidas restritivas pelo órgão previdenciário. No texto do requerimento, o deputado Alfredo Gaspar destacou que a convocação era "medida necessária" para esclarecer o conhecimento da alta administração da Crefisa sobre supostas irregularidades relatadas por beneficiários do INSS.

As investigações da CPMI buscam apurar denúncias de possíveis desvios e problemas operacionais no sistema de pagamento de benefícios previdenciários, com foco especial no envolvimento de instituições financeiras terceirizadas. A decisão do STF representa um capítulo importante neste processo investigativo, redefinindo os parâmetros de cooperação entre o poder legislativo e figuras do setor privado convocadas para depor.