Viúva do Último Xá do Irã Declara: 'Não Há Volta' Após Protestos em Massa
Viúva do Último Xá do Irã: 'Não Há Volta' Após Protestos

Viúva do Último Xá do Irã Declara: 'Não Há Volta' Após Protestos em Massa

Farah Pahlavi, viúva do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, fez uma declaração impactante nesta quinta-feira, 21 de janeiro de 2026, afirmando que o país entrou em um caminho sem retorno após a recente onda de protestos contra o regime islâmico. Em entrevista exclusiva à agência de notícias France-Presse (AFP), a ex-imperatriz, hoje com 87 anos e vivendo no exílio, expressou sua convicção de que os iranianos sairão vencedores deste confronto desigual.

Exílio e Esperança pela Libertação do Povo Iraniano

Expulsa do Irã em janeiro de 1979 ao lado do marido durante a revolução que levou os aiatolás ao poder, Farah Pahlavi revelou que seu desejo pessoal é voltar ao país natal. No entanto, ela enfatizou que o mais importante é a libertação do povo iraniano. O que realmente importa não é meu destino pessoal, mas que a juventude e todo o povo iraniano sejam finalmente livres e se libertem deste regime criminoso, retrógrado e obscurantista, declarou durante a entrevista, realizada em Paris.

A ex-imperatriz explicou que recusou diversos pedidos de entrevista nas últimas semanas, mas decidiu falar agora por considerar um dever se dirigir não apenas aos compatriotas, mas ao mundo inteiro. Ela destacou que a mobilização popular desafia de forma irreversível a República Islâmica, afirmando: Há uma coisa clara: não há mais volta. Este caminho é de mão única, conduz à liberdade, e, de forma trágica, é regado todos os dias com o sangue das filhas e dos filhos desta terra. Um sacrifício assim conduz necessariamente à vitória.

Contexto Histórico e Vida no Exílio

Coroada imperatriz, ou shahbanu, aos 29 anos, Farah Pahlavi foi um dos rostos mais conhecidos da monarquia iraniana nas décadas de 1960 e 1970, estampando capas de revistas internacionais e levando uma vida marcada pelo luxo. Esse capítulo terminou em 16 de janeiro de 1979, quando a família real foi derrubada pela revolução islâmica. Desde então, ela vive no exílio, dividindo seu tempo entre Paris e os Estados Unidos.

Nos Estados Unidos reside seu filho mais velho, Reza Pahlavi, que afirma estar disposto a liderar uma transição democrática no Irã. Essa perspectiva reforça a esperança de mudança expressa por Farah em sua entrevista.

Protestos e Repressão no Irã

Os protestos que tomaram o Irã desde 28 de dezembro do ano passado começaram como atos contra a crise econômica, liderados por comerciantes, mas em poucas semanas angariaram mais setores da população, especialmente jovens e mulheres, refletindo um complexo caldo de insatisfações. Embora as manifestações tenham diminuído nos últimos dias diante da repressão e de um bloqueio da internet, em vigor há quase uma semana, o movimento permanece ativo.

Dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA), dos Estados Unidos, indicam que ao menos 3.766 pessoas morreram em meio à repressão, enquanto outros 8.949 casos de morte seguem sob investigação. Outras fontes, como autoridades iranianas ouvidas pela agência de notícias Reuters, afirmaram que o número de mortos já passou de 5.000. Durante manifestações anteriores, em 2022, ex-detidos já haviam relatado episódios de estupro, tortura e espancamentos em centros de detenção, evidenciando a gravidade da situação.

Impacto Global e Conclusão

Farah Pahlavi acredita que a vitória dos iranianos não será apenas do Irã, mas também da paz, da segurança e da estabilidade do mundo. Suas palavras ecoam como um chamado à atenção internacional para os eventos no país, destacando a luta por liberdade e direitos humanos. A entrevista reforça a ideia de que os protestos representam um ponto de virada histórico, com a viúva do último xá enfatizando que não há retorno ao status quo anterior, sinalizando um futuro de transformações profundas no Oriente Médio.