Venezuela liberta pelo menos 80 presos políticos sob pressão internacional
Venezuela liberta 80 presos políticos sob pressão dos EUA

Pelo menos oitenta presos políticos foram libertados neste domingo, dia 25, na Venezuela, em um processo de soltura que avança a conta-gotas sob intensa pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos. A informação foi confirmada pela organização não governamental Foro Penal, que monitora casos de detenção política no país.

Libertações ocorrem durante a madrugada

O diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, divulgou em sua conta na rede social X que pelo menos 80 presos políticos verificados foram libertados em todo o território venezuelano. Ele ressaltou que é provável que ocorram mais solturas ao longo do dia, à medida que as verificações forem realizadas.

O advogado Gonzalo Himiob, também integrante da ONG, detalhou que as libertações aconteceram durante a madrugada, aumentando a expectativa entre familiares que aguardam do lado de fora dos presídios. "Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que fizermos mais verificações", afirmou Himiob na mesma plataforma.

Famílias aguardam em vigília

Enquanto isso, familiares dos detidos passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos saírem das celas. Cenas de vigília foram registradas em frente à prisão de El Helicoide, em Caracas, onde parentes aguardam ansiosos por notícias sobre a libertação.

Governo promete mais libertações

O governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, prometeu um "número importante" de libertações. Rodríguez, que governa de forma temporária, tem promovido uma mudança súbita na desgastada relação entre Caracas e Washington.

No sábado, a presidente interina convocou a oposição a "alcançar acordos" para conquistar a "paz" no país, que os Estados Unidos afirmam controlar após a incursão militar que depôs Maduro. O ex-presidente e sua esposa, Cilia Flores, são processados em Nova York por acusações de narcotráfico.

Números oficiais são questionados

O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, um número que o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pedirá para verificar, conforme anunciado por Rodríguez na sexta-feira. No entanto, o total oficial contrasta significativamente com os relatórios das organizações não governamentais.

O Foro Penal, por exemplo, contabiliza cerca da metade desse número no mesmo período, evidenciando uma discrepância que alimenta críticas sobre a transparência do processo. A oposição e as ONGs defensoras de direitos humanos denunciam a lentidão nas solturas, argumentando que o avanço é insuficiente diante da magnitude do problema.

Contexto de repressão e controle estatal

A Venezuela tem vivido anos de um rígido controle estatal, com protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024 terminando em repressão violenta. Em apenas 48 horas, mais de 2 mil pessoas foram presas durante esses eventos, segundo relatos de organizações de direitos humanos.

Além disso, está em vigor um estado de comoção que pune com prisão quem apoiar o ataque americano, criando um ambiente de medo e instabilidade política. A libertação dos presos políticos representa, portanto, um passo delicado em meio a um cenário complexo de transição de poder e pressões internacionais.

O processo continua sendo monitorado de perto por entidades internacionais, enquanto familiares e defensores de direitos humanos aguardam por mais avanços concretos na libertação de todos os presos políticos no país.