O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizará um encontro histórico com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, na próxima quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. O anúncio foi feito por um funcionário da Casa Branca e marca o primeiro contato direto entre os dois após a queda e prisão do ditador Nicolás Maduro, capturado por forças dos EUA há pouco mais de uma semana.
Reunião e contexto político
O encontro na Casa Branca acontece em um momento de profunda transformação na Venezuela. María Corina Machado, que lidera a oposição desde que venceu as primárias em 2023, teve sua candidatura barrada pelo regime de Maduro nas eleições de julho de 2024. Na ocasião, ela apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia como candidato único da oposição.
Apesar das acusações de fraude e da falta de transparência do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que nunca divulgou as atas do pleito, Nicolás Maduro declarou-se reeleito e assumiu um novo mandato de seis anos em janeiro de 2025. A intervenção militar americana no sábado, 3 de janeiro de 2026, pôs fim ao seu governo.
Elogios e cobranças de Machado
Em entrevista ao jornal Infobae, María Corina Machado definiu a deposição de Maduro como "um passo gigantesco rumo à liberdade". Ela não poupou elogios a Donald Trump, agradecendo sua "visão, coragem e decisão". No entanto, a líder oposicionista fez uma cobrança clara: a transição de poder precisa ser rápida e o primeiro passo deve ser a libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos, estimados em cerca de mil pessoas.
Machado também reiterou seu apoio a Edmundo González, afirmando que a expressão da vontade popular nas eleições de 28 de julho de 2024 reafirma sua legitimidade para assumir a presidência. Ela criticou líderes estrangeiros que condenaram a ação americana, alegando violação do direito internacional, ao argumentar que a ilegitimidade do regime de Maduro justificava a medida.
Encontro com o Papa e visão do Vaticano
Além da agenda em Washington, a semana da líder oposicionista foi marcada por uma audiência no Vaticano. Na segunda-feira, 12 de janeiro, María Corina Machado se reuniu com o Papa Leão XIV. Durante o encontro, ela pediu a intercessão do pontífice pela libertação dos presos políticos e por uma transição rápida para a democracia na Venezuela.
Machado afirmou ao Papa que, "com o apoio da Igreja e a pressão sem precedentes do governo dos Estados Unidos, a derrota do mal no país está mais próxima do que nunca". Ela também se encontrou com o Secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin, que tem histórico de atuação no país.
Em seus primeiros comentários sobre a ação dos EUA, o Papa Leão XIV, o primeiro americano a comandar a Igreja Católica, pediu que a Venezuela permanecesse um país independente. Ele apelou para que a comunidade internacional respeitasse a vontade dos venezuelanos e protege-se os direitos humanos no país. O pontífice também criticou o uso da força militar como instrumento de política externa, expressando preocupação com o enfraquecimento de organismos internacionais.
O cenário político venezuelano segue em ebulição, com a reunião entre Trump e Machado representando um capítulo crucial nos esforços para estabelecer uma nova ordem no país após mais de duas décadas de chavismo.