Trump mira mudança de regime em Cuba após ações na Venezuela e guerra no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já fala abertamente em atuar para promover uma mudança de regime em outro país aqui no continente americano, especificamente em Cuba. Esta declaração surge em meio ao conflito com o Irã, que mal completou uma semana, demonstrando uma agenda externa agressiva e multifocal.
O próximo alvo: Cuba
"O que está acontecendo em Cuba é incrível e acho que vamos concluir depois que essa guerra acabar. É uma questão de tempo até que muitas pessoas consigam voltar pra Cuba", afirmou Trump. Esta perspectiva é vista como um reflexo direto da operação de captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, considerada bem-sucedida pela administração americana.
"Cortamos o petróleo, o dinheiro e tudo que vinha da Venezuela, que era a única fonte de Cuba. Agora eles querem fazer um acordo", explicou o presidente, conectando explicitamente as ações contra Caracas com a pressão sobre Havana.
O êxito venezuelano e a decisão iraniana
O professor da Fundação Getulio Vargas, Mathias Spektor, analisa que o resultado na Venezuela foi um catalisador para a decisão de atacar o Irã. "A decisão do Trump de atacar o Irã já é um sintoma do empoderamento do Trump no quesito Venezuela. Foi o êxito na Venezuela que criou as condições políticas para que o Trump pudesse embarcar nesta aventura no Irã, indo contra a opinião dos seus próprios chefes militares", afirma Spektor.
No entanto, o especialista ressalta uma diferença crucial: o Irã é um país muito mais complexo e forte militarmente do que a Venezuela. Além disso, está localizado numa região repleta de países aliados dos Estados Unidos, que aos poucos vêm sendo arrastados para o conflito, aumentando as incertezas geopolíticas.
A guerra no Irã: duração e objetivos
A pergunta que muitos analistas e observadores se fazem é se o conflito com o Irã pode se transformar em uma guerra sem fim, algo que Trump sempre criticou e prometeu nunca envolver os Estados Unidos. O professor de política externa da Universidade Johns Hopkins, Elliot Cohen, oferece uma visão mais otimista sobre a duração.
Cohen avalia que o conflito deve durar apenas algumas semanas e terminar quando os Estados Unidos alcançarem três objetivos claros: "Eles querem substituir a atual liderança com alguém mais maleável, acabar com o programa nuclear, eliminar os mísseis balísticos que ameaçam os vizinhos como Israel e acabar com o apoio a grupos como os Houthis, o Hezbollah e o Hamas".
Complexidade do poder iraniano
A morte do líder supremo Ali Khamenei ainda no primeiro dia de ataques aéreos teve um efeito simbólico significativo, mas não desmontou o centro de poder iraniano, que é estruturado em vários núcleos e instituições robustas. Esta estrutura representa um desafio formidável para qualquer tentativa de mudança rápida de regime.
O professor Mathias Spektor enfatiza essa complexidade: "É um regime sofisticado que está no poder há mais de quatro décadas, com numerosos recursos de poder. Portanto, se o objetivo do Trump for a mudança de regime, é muito possível que os Estados Unidos estejam dentro do Irã por um período bastante longo de tempo".
Reflexões sobre a estratégia de Trump
A postura de Donald Trump revela uma estratégia de política externa que conecta diferentes teatros de operação, utilizando sucessos em uma frente para justificar e impulsionar ações em outras. A transição da Venezuela para o Irã e, agora, o foco declarado em Cuba, ilustram uma abordagem que busca capitalizar momentum político e militar.
Contudo, analistas advertem que a guerra no Irã pode não ser tão rápida quanto o presidente americano deseja, dada a resiliência do regime e a complexidade regional. O cenário cubano, por sua vez, apresenta seus próprios desafios históricos e diplomáticos, que podem não se resolver com a mesma fórmula aplicada na Venezuela.
