Piloto do Globocop, Dato de Oliveira, foi sequestrado e obrigado a pousar em presídio em 2002
Piloto do Globocop foi sequestrado e obrigado a pousar em presídio

O piloto Odailton de Oliveira Silva, mais conhecido como Dato de Oliveira, que morreu após ser baleado na cabeça durante um assalto na Zona Oeste de São Paulo, já havia sido vítima de um sequestro aéreo. De acordo com informações apuradas pelo g1 nesta quinta-feira (21), os passageiros armados o forçaram a pousar o helicóptero em um presídio.

Carreira de Dato de Oliveira

Dato de Oliveira, de 77 anos, acumulava aproximadamente 49 anos de carreira como piloto, com vasta experiência tanto em aviões quanto em helicópteros. Ele ficou conhecido nacionalmente por comandar o Globocop, aeronave da TV Globo utilizada em coberturas jornalísticas na capital paulista.

O sequestro aéreo em 2002

O sequestro aéreo ocorreu em janeiro de 2002. Na época, a TV Tribuna, afiliada da Globo, noticiou que o piloto decolou do Aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, para um passeio turístico com dois passageiros. Em determinado momento da viagem, os passageiros perguntaram onde ficava um shopping de Guarulhos (SP).

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“Não estranhei porque é um passeio turístico. De repente, você está voando, você quer um ponto de referência”, explicou Dato durante uma entrevista ao programa Jô Soares, em 2011.

Ele destacou que só descobriu que se tratava de um sequestro quando já estava no ar. “Virei para trás e falei: ‘aqui é o Parque Ecológico Tietê’. Quando eu olhei para frente, esse cara aqui [ao lado] estava sem cinto com um revólver na mão [...]. Arrancou os fones de ouvido, tirou o meu braço do comando, e eu falei: ‘vê o que vocês querem fazer, eu faço, mas deixa eu voar’. Aí, ele soltou o meu braço”, relembrou.

Pouso forçado em presídio

O piloto foi obrigado a pousar no pátio de um presídio em Guarulhos. “Quando entrou um [detento], eu iniciei a decolagem na vertical. O cara pôs a arma na cabeça e falou: ‘volta’. Eu voltei, entrou o segundo cara”, disse Dato, que deixou os criminosos em um campo de futebol em Embu das Artes (SP).

Ainda na entrevista ao Jô, o piloto revelou que os criminosos foram pegos pela polícia. Durante as investigações, ele morava em Santos (SP) e teve que ir seis vezes depor na capital paulista, conseguindo provar que foi uma vítima da situação.

“Eu tinha que voar rente a árvores, pulando casas, desviando de prédios. Não podia subir, entendeu? Eles tinham medo que fosse visualizado pelo helicóptero da polícia, mas estavam assim eufóricos, nervosos. Em momento algum, me agrediram nem verbalmente, nem fisicamente”, destacou Dato.

Morte em assalto

Dato de Oliveira foi baleado na cabeça na tarde de terça-feira (19), na Avenida do Rio Pequeno, no Butantã, Zona Oeste da capital. Ele dirigia quando foi abordado por um criminoso em uma motocicleta, que anunciou o assalto e atirou contra o piloto, sem que fosse possível identificar se houve reação. O crime foi gravado por câmera de segurança. Após o disparo, o piloto perdeu o controle do carro, que bateu em um ônibus. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Universitário, mas não resistiu aos ferimentos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar