A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa novamente nesta quinta-feira (21), em São Paulo, durante uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil contra a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, o esquema envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção criminosa, considerada a maior do país.
Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e teve seu nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20) e foi detida logo após desembarcar. Esta é apenas a mais recente de uma série de complicações judiciais enfrentadas pela famosa. Abaixo, um resumo das principais investigações, prisões e processos que envolvem seu nome.
Julho de 2022: Busca e apreensão por lavagem em empresa de apostas
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão na mansão de Deolane em Alphaville. A ação investigava crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro relacionados a uma empresa de apostas esportivas patrocinadora da influenciadora. Dois carros de luxo, um Porsche e um Land Rover Discovery, foram apreendidos.
Fevereiro de 2024: Investigação por foto com colar de chefe do tráfico
Deolane tornou-se alvo de um inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro após publicar fotos no Baile da Disney, no Complexo da Maré, usando o cordão de ouro do traficante Thiago da Silva Folly, o "TH", chefe do Terceiro Comando Puro (TCP). Em um vídeo, ela explicou: "Fui no Complexo da Maré ontem, tava lá no baile da Disney. Fui bem recebida, não gastei um real. Tirei foto com geral, com cordão, sem cordão, botaram o cordão em mim, tiraram, e pocas, eu sou isso". A polícia apurava possível associação ao tráfico de drogas.
Setembro de 2024: Primeira prisão na Operação Integration
O primeiro grande revés judicial de Deolane ocorreu em setembro de 2024, quando ela foi presa preventivamente em Recife (PE). A Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, investigava um esquema de lavagem de dinheiro e jogos de azar ilegais que movimentou cerca de R$ 2 bilhões. Bens de luxo da influenciadora foram sequestrados. "Sei que as coisas vão se esclarecer", declarou ela em uma carta escrita à mão na prisão. Após idas e vindas jurídicas, ela obteve um habeas corpus. No início de 2026, a Justiça Federal assumiu a competência do caso, anulando os atos estaduais anteriores e repassando o inquérito para a Polícia Federal.
Abril de 2026: Alvo da PF na Operação Narco Fluxo
Cerca de um mês atrás, Deolane entrou na mira de uma megaoperação da Polícia Federal batizada de Narco Fluxo. A PF passou a investigá-la por suposta participação em uma rede que utilizava o meio artístico e plataformas digitais para lavar dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas, rifas clandestinas e apostas. Relatórios de inteligência apontaram que a conta bancária da advogada funcionava como "conta de passagem" para ocultar recursos de uma organização criminosa suspeita de enviar mais de três toneladas de cocaína para o exterior.
Maio de 2026: A prisão de hoje
A prisão desta quinta-feira (21) decorre de uma investigação que começou em 2019, após a apreensão de bilhetes de lideranças do PCC na Penitenciária de Presidente Venceslau. Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram uma "mulher da transportadora" que ajudava a cúpula da facção, incluindo Marcola, a lavar ativos e levantar endereços de agentes públicos. Deolane, que estava em Roma e teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, foi detida logo após desembarcar no Brasil. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, considerado um filho de criação por Deolane, e um contador são alvos de busca e apreensão.



