Antônio Medeiros, aposentado de 102 anos, tornou-se um exemplo de disposição e vitalidade ao manter uma rotina diária de exercícios na academia do Sesi, em Bauru (SP). Conhecido pelos colegas como 'Seo Medeiros', ele treina cinco vezes por semana, desde antes da aposentadoria, e chega ao local por volta das 5h da manhã, sempre vestindo sua tradicional camisa polo, luvas e chapéu.
Treino adaptado para a idade
O professor de atividades físicas Wendell Lima, responsável pelo acompanhamento de Antônio, explica que o treino é personalizado, mas semelhante ao de qualquer aluno, com adaptações pontuais. 'Ele consegue fazer agachamento, subir e descer escadas e supino inclinado com muita qualidade. Muitos mais novos não conseguem executar os movimentos com a consciência corporal que ele tem', afirma.
Segundo Wendell, a intensidade é ajustada conforme a resposta física do idoso e avaliações frequentes. Em alguns aparelhos, Antônio chega a usar mais peso do que pessoas muito mais jovens. 'Ele executa os exercícios com muita força e coordenação. Em alguns, chega a usar mais peso do que pessoas de 40, 50 anos', conta o professor.
Foco na autonomia e prevenção de quedas
A rotina inclui exercícios para membros superiores e inferiores, com ênfase no fortalecimento das pernas e na mobilidade, visando prevenir quedas e manter a independência do aposentado. 'Dentro da nossa metodologia, damos muita atenção aos exercícios de membros inferiores, principalmente pensando na prevenção de quedas e na manutenção da autonomia dele', afirma Wendell.
Vida regrada e vínculos sociais
Antônio começou a praticar atividade física há décadas, antes mesmo de se aposentar. Primeiro, frequentava as piscinas do Sesi para nadar e, por volta de 2008, iniciou na musculação. Com o tempo, a academia tornou-se uma extensão de sua casa, e ele criou fortes vínculos com professores, funcionários e outros frequentadores.
A aluna Carla Catarin destaca a influência positiva do idoso: 'É um exemplo de vida. A idade que ele está, uma pessoa lúcida, uma pessoa feliz, que mostra que tem qualidade de vida. Dá um ânimo pra gente treinar. Quando ele está aqui, ele transforma o ambiente em algo muito agradável.'
Além da academia, Antônio mantém uma rotina independente e dirige seu próprio carro. Para ele, a academia é uma família. 'Na academia eu considero uma família, porque eu cheguei sozinho e hoje eu conto com todas as criaturas aí, 60, 70 ou 100 pessoas. Para mim é uma enorme família que eu criei aqui', afirma.
Segundo Wendell Lima, o ambiente social é parte importante da rotina do aposentado. 'Não tem um aluno que não queira estar perto dele. O carisma e a calma que ele transmite acabam influenciando outras pessoas', conclui.



