Trump se prepara para discurso do Estado da União com olho nas eleições de meio de mandato
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizará nesta terça-feira (24) o tradicional discurso do Estado da União, uma cerimônia consolidada na política americana onde o chefe do Executivo apresenta ao Congresso um balanço de seu governo e estabelece as prioridades para o ano que se inicia.
Estratégia eleitoral e cenário político
Segundo análises da imprensa americana, Trump deve apostar em um discurso voltado para animar sua base eleitoral, buscando manter o apoio dos eleitores às vésperas das eleições de meio de mandato, conhecidas como "midterms", marcadas para 3 de novembro. Nessas eleições, toda a Câmara dos Representantes será renovada, enquanto no Senado um terço das cadeiras estará em disputa.
Atualmente, ambas as Casas do Congresso são controladas pelos republicanos, partido de Trump. No entanto, pesquisas indicam que o governo pode perder ao menos uma delas, cenário que preocupa os aliados do presidente e deve influenciar o tom de sua fala.
Economia como tema central
A economia deve ser um dos principais eixos do discurso. Uma pesquisa divulgada pela Associated Press aponta que 59% dos adultos americanos desaprovam as políticas econômicas do presidente, com a principal preocupação dos eleitores sendo os preços dos alimentos e da moradia.
Trump deve culpar o governo anterior de Joe Biden pelos atuais desafios econômicos. Na semana passada, o presidente afirmou que falaria sobre a "situação caótica" herdada ao assumir a Casa Branca em 2025, declarando na segunda-feira (23): "Será um discurso longo. Temos muito o que falar."
No ano passado, durante uma sessão conjunta do Congresso, Trump já havia usado uma estratégia similar, citando Biden 13 vezes ao comentar a situação do país.
Imigração e política externa
A imigração também deve aparecer com destaque no discurso. Considerada um dos principais eixos do governo, a política de detenção de estrangeiros em situação irregular virou alvo de protestos após a morte de dois cidadãos americanos em ações de agentes federais.
Nesta segunda-feira (22), em uma tentativa de recuperar apoio no tema, Trump decretou o "Dia Nacional das Famílias de Anjos", data que homenageia cidadãos americanos mortos por imigrantes em situação irregular.
A política externa pode ser mencionada, mas deve ter espaço menor no pronunciamento. Mesmo diante do aumento das tensões com o Irã, a expectativa é que o foco de Trump esteja no público interno e em temas do cotidiano dos americanos.
Contexto histórico da tradição
O discurso sobre o Estado da União é realizado desde 1790, quando o presidente George Washington fez uma fala breve com pouco mais de mil palavras. Ao longo dos anos, a tradição evoluiu, com os discursos ficando cada vez mais longos e midiáticos.
Marcos importantes da tradição:
- Em 1801, Thomas Jefferson rompeu com a prática de falar pessoalmente ao Congresso, passando a enviar a mensagem por escrito
- O formato escrito foi mantido por mais de um século, até que Woodrow Wilson retomou o modelo presencial em 1913
- Em 1947, Harry Truman foi o primeiro a fazer o discurso com transmissão pela televisão
- Em 1965, Lyndon Johnson decidiu realizá-lo em horário nobre para ampliar a audiência
Com o aumento da polarização política, tornou-se comum que congressistas do partido do presidente se levantem para aplaudi-lo, enquanto os opositores permanecem sentados — e, em alguns casos, fazem provocações. Em 2023, por exemplo, Biden foi chamado de mentiroso por uma deputada durante seu discurso.
Oficialmente, o discurso mais longo foi feito pelo presidente Bill Clinton, com duração de 1 hora, 28 minutos e 49 segundos. No ano passado, o discurso de Trump durou 1 hora, 39 minutos e 32 segundos, mas como ele ainda estava no primeiro ano de governo, o pronunciamento não é considerado oficialmente um Estado da União, sendo classificado como uma sessão conjunta do Congresso.



