Trump ataca Suprema Corte dos EUA após derrota em política tarifária
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contestou veementemente a decisão da Suprema Corte que considerou ilegal seu pacote de tarifas internacionais, conhecido como "tarifaço". Em publicação na rede social Truth Social nesta segunda-feira (23), o líder republicano argumentou que recebeu respaldo do tribunal em outras situações para realizar "coisas terríveis" a países estrangeiros, sugerindo uma contradição e hipocrisia por parte da Corte.
Acusação de duplo padrão judicial
"Por um lado, posso usar licenças para fazer coisas absolutamente 'terríveis' a países estrangeiros, especialmente aqueles que têm NOS ROUBADO há muitas décadas, mas, de forma incompreensível, segundo a decisão, não posso cobrar uma taxa deles", escreveu Trump. O ex-presidente afirmou que a Corte aprovou todas as outras tarifas, que segundo ele podem ser usadas de maneira muito mais poderosa e incômoda do que o pacote de taxas que havia anunciado para grande parte do mundo.
Para Trump, a decisão "fez um ótimo trabalho para as pessoas erradas". Ele criticou: "Essa Suprema Corte encontrará uma maneira de chegar à conclusão errada, uma que novamente deixará a China e várias outras nações felizes e ricas. Que continue tomando decisões tão ruins e prejudiciais ao futuro de nossa nação, eu tenho um trabalho a fazer".
Demonstração de desrespeito proposital
O republicano se referiu ainda ao órgão de última instância com letras minúsculas, afirmando que foi proposital. "Vou usar letras minúsculas por um tempo, por total falta de respeito!", declarou Trump, reforçando seu descontentamento com a decisão judicial que limitou sua agenda econômica internacional.
Corte rejeita agenda tarifária, mas apoia outras políticas de Trump
Historicamente, a Suprema Corte dos Estados Unidos viabilizou boa parte da agenda do governo Trump durante seu mandato. Em artigo de opinião publicado no último sábado, a colunista Mariana Sanches já havia pontuado que entre os mais de 20 casos de interesse do governo no Tribunal Superior em 2025, a vontade de Trump prevaleceu em pelo menos 80% deles.
Limitações a juízes federais
A Corte limitou, por exemplo, a atuação de juízes federais em decisões do presidente. Na determinação, ficou acordado que eles não tinham autoridade para dar decisões liminares que interrompessem em todo o território nacional ordens executivas de Trump, fortalecendo o poder presidencial.
Respaldo em políticas anti-imigratórias
O tribunal também respaldou o líder americano em políticas anti-imigratórias controversas. Ela abriu caminho para que os agentes do ICE (Agência de Imigração e Controle de Alfândega) usassem características raciais e étnicas para justificar a abordagem de pessoas nas ruas dos EUA, algo que nenhum departamento de polícia do país jamais pode fazer legalmente.
Além disso, garantiu o direito de cassar o status temporário de migração humanitária de mais de meio milhão de venezuelanos, haitianos, cubanos e nicaraguenses, implementando restrições significativas no sistema de asilo americano.
Reestruturação do governo federal
Na frente administrativa, o Tribunal autorizou que Trump desmantelasse boa parte da estrutura do governo federal, que ele chama de "deep state". Isso garantiu que o presidente poderia levar a cabo demissões em massa de funcionários federais em cerca de 20 agências e órgãos, em um processo que levou à extinção da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional).
Para isso, Trump chegou a criar o Departamento de Eficiência Governamental, o DOGE, inicialmente chefiado pelo bilionário Elon Musk, em uma movimentação que buscou centralizar o controle sobre a burocracia federal.
Radicalização em assuntos identitários e educacionais
O Tribunal também permitiu que Trump se radicalizasse em assuntos identitários e educacionais. O presidente foi autorizado a banir pessoas trans das Forças Armadas do país e a obrigar cidadãos americanos a incluir em seus passaportes o sexo de nascimento, medidas que enfrentaram forte oposição de grupos de direitos civis.
Além disso, garantiu o direito do governo de cortar US$65 milhões em treinamentos previamente autorizados para professores em temas como "igualdade" e "diversidade", reduzindo programas de educação inclusiva em escolas públicas.
Incidente de segurança em Mar-a-Lago
Em desenvolvimento paralelo, um homem foi morto pelo Serviço Secreto norte-americano depois de ter entrado no perímetro de segurança da residência de Donald Trump em Mar-a-Lago. O incidente ocorreu durante a madrugada, enquanto o ex-presidente norte-americano estava em Washington DC. O caso reforça as preocupações com a segurança em torno das propriedades de Trump, que continuam sendo alvo de incidentes mesmo após seu mandato presidencial.



