Trump promete ataque duro ao Irã e petróleo sobe, enquanto crise de crédito nos EUA ameaça economia global
Os preços do petróleo registraram alta e os índices de ações apresentaram oscilações nesta quinta-feira, à medida que as esperanças dos investidores por um fim rápido à guerra com o Irã se dissiparam. O motivo foi o pronunciamento do presidente americano Donald Trump na noite de quarta-feira, no qual ele afirmou buscar um acordo diplomático para encerrar o conflito, mas também prometeu atacar o Irã com extrema força nas próximas semanas, incluindo instalações elétricas, em uma ação que poderia configurar crime de guerra.
Maneira errática de Trump irrita aliados e mina otimismo em Wall Street
A condução errática da guerra pelo presidente americano, marcada pela falta de um cronograma claro, irritou as autoridades da Arábia Saudita, principal aliado dos Estados Unidos no Golfo. Essa incerteza também minou as esperanças em Wall Street de que o conflito pudesse terminar rapidamente, com a reabertura do Estreito de Ormuz, permitindo o fluxo livre de petróleo do Golfo Pérsico para os mercados mundiais.
Como resultado, após uma queda inicial no otimismo sobre o discurso de Trump, os contratos futuros do petróleo do tipo Brent para entrega em junho voltaram a subir cerca de 6% por volta do meio-dia, horário de Brasília, cotados a US$ 107,28. Simultaneamente, os índices de ações recuaram nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. No Brasil, o Ibovespa avançava 0,22% após o meio-dia, impulsionado pela alta das ações da Petrobras.
Crise de crédito privado nos EUA gera alerta global
Enquanto isso, uma nova crise de crédito bancário, originada nos Estados Unidos, ameaça a economia mundial. Operações semelhantes aos negócios mirabolantes de Daniel Vorcaro no Brasil, que envolviam emissão de CDBs e letras financeiras para aplicação em papéis de baixa liquidez, estão perdendo liquidez devido às fortes oscilações causadas pela guerra do Golfo.
Publicações como o Wall Street Journal e o Financial Times vêm tratando o tema com grande preocupação. A manchete do Financial Times de hoje aborda a crise da empresa americana Blue Owl, que limitou saques de dois de seus fundos após pedidos de resgate no valor de US$ 5,4 bilhões. O Departamento do Tesouro dos EUA já convocou reguladores para discutir os riscos do crédito privado, temendo uma crise global semelhante à do sub-prime de 2008.
Lições da crise financeira de 2008
Vale lembrar que na crise financeira mundial de setembro de 2008, os bancos brasileiros, com pelo menos 20% de seu funding proveniente do crédito internacional, foram atingidos por uma crise de liquidez. Isso obrigou o Banco Central a liberar compulsórios, mas não foi suficiente para evitar a crise do Unibanco, que resultou em sua fusão com o Itaú, alterando a liderança entre os bancos privados no Brasil.
O New York Times reuniu colunistas no início da semana para avaliar a situação atual, e a conclusão foi de ruim a péssima. O jornal sintetizou: Ruim, muito ruim e muito pior: escolha uma previsão para a guerra e a economia, acrescentando que uma perspectiva meramente ruim pode ser boa o suficiente para os mercados em meio a tanta incerteza.



