Comissão federal decide destino de salão de baile bilionário de Trump na Casa Branca
A Comissão de Planejamento da Capital Nacional dos Estados Unidos se reúne nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, para votar sobre o controverso projeto de um salão de baile de US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 2 bilhões) que o presidente Donald Trump pretende construir na Casa Branca. A análise foi possibilitada por uma decisão judicial recente que suspendeu temporariamente as obras, levantando questões éticas e legais sobre o financiamento e a execução do empreendimento.
Decisão judicial coloca projeto em xeque
No início desta semana, o magistrado Richard Leon emitiu uma liminar que suspendeu a construção do salão de baile, embora a ordem não tenha entrado em vigor imediatamente. Em resposta, Trump afirmou em sua rede social Truth Social que seu governo não necessita de "autorização expressa do Congresso" para prosseguir com as obras, enquanto o governo recorre da decisão. A demolição de grande parte da Ala Leste da Casa Branca já foi realizada, causando polêmica entre grupos de preservação histórica.
Críticas e preocupações éticas
Grupos como o National Trust for Historic Preservation entraram com ações judiciais para bloquear o projeto, argumentando que o governo violou leis ao demolir partes da Casa Branca sem revisão adequada. Especialistas em ética governamental expressam preocupações sobre:
- O financiamento por doadores voluntários, que pode gerar conflitos de interesse.
- A contratação das empresas McCrery Architects, Clark Construction e AECOM, sem clareza sobre processos competitivos.
- O risco de que a ampliação permita a Trump e futuros governos convidar doadores à residência presidencial, promovendo uma abordagem transacional.
Contexto político e histórico
Em seu segundo mandato, Trump busca remodelar instituições americanas, incluindo mudanças físicas na Casa Branca. Antes do salão de baile, ele já redecorou o Salão Oval, o Rose Garden e instalou um novo mastro de bandeira. O projeto se soma a polêmicas sobre modernização e uso de recursos privados em propriedades públicas, como o plano de erguer o "Arc de Trump", uma versão americana do Arco do Triunfo, financiada por apoiadores.
A Comissão de Belas Artes, onde Trump instalou aliados, aprovou o projeto no mês passado, mas a Comissão de Planejamento adiou a votação após receber mais de 9 mil páginas de reclamações públicas. O salão de baile de 8.400 metros quadrados permitiria eventos para cerca de 650 pessoas, mais que o triplo da capacidade do Salão Leste. A decisão desta quinta-feira será crucial para definir o futuro deste empreendimento arquitetônico altamente debatido.



