Ex-deputado Alexandre Ramagem agradece a Trump após soltura nos Estados Unidos e ataca Polícia Federal
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi preso pelo ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos, nesta semana e liberado após dois dias de encarceramento, divulgou um vídeo nas redes sociais onde expressa gratidão à alta cúpula do governo de Donald Trump pela sua soltura. No registro, Ramagem afirma que entrou "regularmente nos EUA, com passaporte válido, visto válido" e que, posteriormente, protocolou pedido de asilo.
"Rebeca e eu estamos dentro de todos os procedimentos e todas as fases, o que nos confere estado de permanência regular nos EUA. E aqui eu venho agradecer o governo americano, da mais alta cúpula do governo Trump", declarou o ex-parlamentar no material audiovisual. Contudo, como revelado pela Folha de S.Paulo, um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos indicava que Ramagem estava com o visto vencido, tornando-o passível de deportação para o Brasil.
Defesa de situação regular e críticas à Polícia Federal
Em sua defesa, Ramagem destacou que "não houve nem pagamento de fiança, algo que é normal nestes casos. Não apenas estou em situação regular como não estou me escondendo". A Polícia Federal brasileira informou que a prisão ocorreu mediante cooperação internacional entre Estados Unidos e Brasil. O ex-deputado foi condenado à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado.
Além disso, Ramagem criticou veementemente a Polícia Federal, descrevendo-a como uma instituição "que um dia já teve credibilidade" e que atualmente se tornou uma "polícia de jagunços". Ele também exigiu o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que afirmou que a prisão decorreu de uma cooperação internacional. Rodrigues já declarou que Ramagem, ex-parlamentar e ex-diretor da Abin, deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana.
Senado aprova missão oficial para acompanhar caso nos Estados Unidos
Após a prisão de Ramagem, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou, nesta quinta-feira (16), uma missão oficial de integrantes do colegiado aos Estados Unidos para monitorar a situação de brasileiros que solicitaram asilo político no país, incluindo o ex-deputado. O requerimento foi apresentado pelo senador Jorge Seif (PL-SC) na quarta-feira (15) e tem como objetivo "especialmente" averiguar a situação de Ramagem.
O texto foi aprovado sem votação nominal, ocultando a manifestação individual de cada senador. A reunião foi presidida por Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que se declarou favorável à iniciativa. Sem data definida para a viagem, os senadores planejam visitar Orlando, cidade na Flórida onde Ramagem foi preso, e a capital Washington D.C. Ainda não está confirmado quem participará da missão, sendo que a comissão possui 19 titulares e é presidida por Nelsinho Trad (PSD-MS).
Conforme o requerimento de Seif, a missão visa verificar a prestação de assistência consular aos brasileiros, acompanhar a execução do Tratado de Extradição entre Brasil e EUA, e realizar visitas técnicas a instalações de custódia do ICE, além de reuniões no Consulado-Geral e na embaixada brasileira. Esta ação reflete a preocupação do Legislativo brasileiro com casos de asilo político envolvendo cidadãos no exterior.



